Mostrando postagens com marcador Mensagens. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mensagens. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O Chamado

“Depois subiu ao monte e chamou os que ele quis. E foram ter com ele. Designou doze dentre eles para ficar em sua companhia. Ele os enviou a pregar, com o poder de expulsar os demônios” (Mc 3,13-15).

Ao falarmos de vocação, é importante sabermos que toda vocação é uma eleição, uma escolha, um chamado de Deus. Jesus primeiro chamou aqueles que ele quis para estarem com Ele, depois os enviou em missão. Estar com o Senhor e ser enviado em missão não são duas coisas excludentes, e Jesus chamou a si os seus apóstolos para que aprendessem a estar com Ele de tal modo que partindo em missão, permanecessem com Ele e Nele.

Não existe um modo específico, estático, de como acontece o chamado, porque Ele é livre e criativo, e nos faz ouvir a Sua voz não apenas de modo subjetivo, como também de forma objetiva. Muitas vezes a voz de Deus estenderá suas raízes já na primeira infância, despertando o eleito do sono, como aconteceu com o profeta Samuel ou dando-lhe a clara consciência da sua total pertença a Deus, mesmo sem o saber.

É importante sabermos que um elemento essencial para que a pessoa eleita possa responder o chamado de Deus é a escuta da Sua voz. Parece óbvio, não é? Mas é importante conhecer bem a voz do Senhor para não confundi-La com outras vozes que clamam dentro e fora de nós. Para desenvolver a sensibilidade à voz de Deus devemos cultivar o desejo de Deus por meio de uma vida segundo os valores do Evangelho.

Quando Jesus chamou os seus apóstolos, Ele entrou no ambiente deles (cf. Mt 4,18-22; 9,9s) e eles não poderiam responder ao chamado se não cultivassem dentro de si o desejo de Deus. Se seus corações estivessem ancorados nos bens terrenos, nas pessoas ou em si mesmos, dificilmente reconheceriam a voz do Senhor e permaneceriam com seus corações insaciados, porque somente no acolhimento da vontade de Deus encontramos a felicidade plena.

A Amizade de Deus.

Nosso Senhor, o Verbo de Deus, que primeiro atraiu os homens para serem servos de Deus, liberou em seguida os que lhe estavam submissos, como ele próprio disse a seus discípulos: Já não vos chamo servo, pois o servo não sabe o que faz o seu senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo que ouvi de meu Pai (Jo 15,15). A amizade de Deus concede a imortalidade aos que a obtêm.

No princípio, Deus formou Adão, não porque tivesse necessidade do homem, mas para ter alguém que pudesse receber o benefício. De fato, não só antes de Adão, mas antes da criação, o Verbo glorificava seu Pai, permanecendo nele, e era também glorificado pelo Pai, como ele mesmo declara: Pai, glorifica-me com a glória que ou tinha junto de ti antes que o mundo existisse (Jo 17,5).

Não foi também por necessidade do nosso serviço que Deus nos mandou segui-lo, mas para dar-nos a salvação. Pois seguir o Salvador é participar da salvação, e seguir a luz á receber a luz.

Quando os homens estão na luz, não são eles que a iluminam, mas são iluminados e tornam-se resplandecentes por ela. Nada lhe proporcionam, mas dela recebem o benefício e a iluminação.

Do mesmo modo, o serviço que prestamos a Deus nada acrescenta a Deus, porque ele não precisa do serviço dos homens. Mas aos que o seguem e servem, Deus concede a vida, a incorruptibilidade e a glória eterna. Ele dá seus benefícios aos que o servem precisamente porque o servem e aos que o seguem precisamente porque o seguem; mas não recebe deles nenhum benefício, porque é rico, perfeito e de nada precisa.

Se Deus requer o serviço dos homens é porque, sendo bom e misericordioso, deseja conceder os seus dons aos que perseveram no seu serviço. Com efeito, Deus de nada precisa, mas o homem é que precisa da comunhão com Deus.

É esta, pois, a glória do homem: perseverar e permanecer no serviço de Deus. Por esse motivo dizia o Senhor a seus discípulos: Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi (Jo 15,166), dando assim a entender que não eram eles que o glorificavam seguindo-o, mas, por terem seguido o Filho de Deus, eram por ele glorificado. E disse ainda: Quero que estejam comigo onde eu estiver, para que eles contemplem a minha glória (Jo 17,24).

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Arte... Deus quis compartilhar

Alguns dizem que arte não se define, mas se exprime, o mistério da arte é belíssimo, pois todos a veem, tocam, sentem, mas de formas diferentes. Dizem os estudiosos que a forma de ver e sentir a arte depende da cultura, do costume, da linguagem e vida de quem a aprecia. Como definir algo tão grande e misterioso como a arte?

Aí está o mistério da arte: se todos vissem e sentissem da mesma maneira, não teria mistério, não teria graça em contemplarmos uma arte, fosse ela qual fosse.
Somente Deus pode criar do nada, e tudo Ele criou, porém, quis partilhar com o homem a centelha da sua arte mais bela - a própria criação. Nem todos somos artistas, mas todos podemos desenvolver em nós a sensibilidade artística. Somente com alguns, Deus partilha a centelha de fazer arte, criar a partir de algo.

A arte é expressão e, no decorrer dos tempos, o homem, para exprimir suas idéias, foi se utilizando de tudo que era possível. Alguns dizem que o artista exprime, em sua arte, um mundo paralelo onde tudo está no seu interior – experiências já vividas, sonhos, desejos e anseios - ele cria um mundo ideal, ou aquilo que pensa que o mundo é. O mistério é que nem todos irão ver e sentir, e nem sequer descobrir o que o artista quis expressar naquela peça artística, seja uma tela, um desenho, poesia, escultura, teatro, música.

A arte é bela ou feia? Essa é uma grande pergunta, e muito difícil de responder, pois o que é feio para alguns é belo para outros, na verdade gosto não se discute. A maior verdade em tudo isso é que quando se desenvolve em si a sensibilidade artística, por mais feia que possa parecer uma peça artística, não vai soar como feia, mas como algo significativo. Tudo passa a ter sentido.

A arte é expressão de alguém que é diferente dos demais, por isso ela tende a expressar o diferente - às vezes, uma forma de ver o mundo, de um ângulo jamais pensado pelos demais. A arte é uma luz que ilumina a escuridão e os passos daqueles que buscam um sentido, ou respostas para seus questionamentos interiores.

Arte é isso, às vezes respostas, outras vezes questionamentos, às vezes paz, outras vezes conflitos. A arte nunca deixará de existir.

Marcos Roberto
Com. Recado

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Pai, o pastor da família.

Que beleza a Palavra de Jesus, quando Ele olha para a multidão e percebe que ela precisa ser cuidada. O Senhor faz uma associação direta com uma multidão sem pastor. Pastor é aquele que cuida não com olhos desconfiados de vigilância, mas com olhar zeloso. Pastor é aquele que está à frente de um determinado rebanho.
O padre é o pastor de sua paróquia, assim como o bispo é pastor de sua diocese e o Papa o é da Igreja. A minha palavra de pastor é para convidar você para ser pastor também. Os padres não são os únicos responsáveis pelo pastoreio das ovelhas; você também é responsável pelas ovelhas na sua casa.

O bom pai e a boa mãe ensinam a criança a comer direito desde pequeno. O pastoreio das famílias começa em casa, mas não adianta os pais estarem somente dentro de casa, é preciso que eles exerçam a autoridade. Você não pode ser uma mãe decorativa, pois a família precisa de alguém com as rédeas na mão. Você pai, não pode ser um “repolho” dentro de casa, dizendo ao seu filho que procure a mãe todas as vezes que ele vai até você.

Para uma criança chegar à autonomia, ela precisa de adultos lhe dando as rédeas. Não há nada pior nesta vida do que você se sentir sozinho. Não me refiro à solidão do corpo, pois esta desaparece quando se chega perto de alguém, mas à pior solidão, que é quando você não tem ninguém para falar o que sente e pensa. Você tem que pastorear sua esposa e seu esposo todos os dias. Não é vigiar, é amar.

Muitas mulheres casadas sentem-se solteiras há muito tempo, pois não têm com quem dividir pensamentos e sentimentos. No início, tudo é tão lindo, o primeiro filho, o pai quer dar banho, ama com todas as forças, mas depois não suporta as mínimas coisas. Existem tantos pais que amam somente os filhos na infância, mas depois se cansam deles. Nós não podemos nos cansar do pastoreio.
O pastor que vai ficando indiferente aos poucos vai perdendo a confiança.
O pastor não pode ser indiferente ao rebanho que tem. Às vezes fazemos de tudo para chamar a atenção do outro, mas não conseguimos; então, vamos ficando agressivos. Quantas vezes a agressividade do filho é um pedido de socorro: “Pai, seja meu pastor"”.

Você pode ser engenheiro, médico, administrador, empresário, mas o principal ofício que você tem é o de ser pai, é ser pastor de sua casa. Muitas vezes, jogamos o pastoreio de nossa casa para que outros o façam. Um exemplo são as crianças que têm aulas das 7h da manhã até às 22h da noite. E que horas você dá a sua aula? Quem precisa mandar na sua casa é você. Seja pai, pelo amor de Deus! Mergulhe na sabedoria, porque comandar a casa com burrice é a pior coisa que existe.

Prepare-se para essa paternidade, seja um homem de oração. Quando Deus entra na nossa vida, fica mais fácil viver. Pai e mãe que rezam educam muito melhor do que quando um dos dois não reza. Para que você seja um bom pastor na sua casa, reze.

Todas as naçoes se reuirão diante Dele

Ezequiel 34, 11-12.15-17; 1 Coríntios 15, 20-26a.28; Mateus 25, 31-46

Neste Evangelho nos faz assistir ao ato conclusivo da história humana: o juízo universal: «Quando o Filho do Homem voltar na sua glória e todos os anjos com ele, sentar-se-á no seu trono glorioso. Todas as nações se reunirão diante dele e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda».

A primeira mensagem contida neste evangelho não é a forma ou o resultado do juízo, mas o fato de que haverá um juízo, que o mundo não vem do acaso e não acabará por acaso. Começou com uma palavra: «Faça-se a luz... Façamos o homem» e terminará com uma palavra: «Vinde, benditos... Afastai-vos de mim, malditos». Em seu princípio e em seu final está a decisão de uma mente inteligente e de uma vontade soberana.

Este começo de milênio se caracteriza por uma intensa discussão sobre criacionismo e evolucionismo. Reduzida ao essencial, a disputa opõe quem, aludindo – nem sempre com razão – a Darwin, crê que o mundo é fruto de uma evolução cega, dominada pela seleção das espécies, e aqueles que, ainda admitindo uma evolução, vêem a obra de Deus no mesmo processo evolutivo.

Há alguns dias, aconteceu no Vaticano uma sessão plenária da Academia Pontifícia das Ciências, com o tema «Olhares científicos em torno da evolução do universo e da vida», com a participação dos mais importantes cientistas do mundo inteiro, crentes e não-crentes, muitos deles prêmios Nobel. No programa sobre o evangelho que apresento em RaiUno, entrevistei um dos cientistas presentes, o professor Francis Collins, chefe do grupo de pesquisa que levou ao descobrimento do genoma humano. Perguntei-lhe: «Se a evolução é certa, ainda resta espaço para Deus?». Eis aqui sua resposta:

«Darwin tinha razão em formular sua teoria segundo a qual descendemos de um antepassado comum e houve mudanças graduais no transcurso de longos períodos, mas este é o aspecto mecânico de como a vida chegou ao ponto de formar este fantástico panorama de diversidade. Não responde à pergunta sobre por que existe a vida. Há aspectos da humanidade que não são facilmente explicáveis, como nosso senso moral, o conhecimento do bem e do mal, que às vezes nos induz a realizar sacrifícios que não estão ditados pelas leis da evolução, que nos sugerem preservar-nos a toda custa. Esta não é talvez uma prova que nos indica que Deus existe?»

Perguntei também ao professor Collins se antes ele havia acreditado em Deus ou em Jesus Cristo. Respondeu-me: «Até os 25 anos fui ateu, não tinha uma preparação religiosa, era um cientista que reduzia quase tudo a equações e leis da física. Mas como médico, comecei a observar as pessoas que tinham de enfrentar o problema da vida e da morte, e isso me fez pensar que meu ateísmo não era uma idéia enraizada. Comecei a ler textos sobre as argumentações racionais da fé que não conhecia. Em primeiro lugar, cheguei à convicção de que deve existir um Deus que criou tudo isso, mas não sabia como era este Deus. Isso me moveu a levar a cabo uma busca para descobrir qual era a natureza de Deus, e a encontrei na Bíblia e na pessoa de Jesus. Após dois anos de busca, me dei conta de que não era inteligente opor resistência e me converti em um seguidor de Jesus».

Um grande autor do evolucionismo ateu de nossos dias é o inglês Richard Dawkins, autor do livro «God Delusion», A desilusão de Deus. Ele está promovendo uma campanha publicitária que propõe colocar nos ônibus das cidades inglesas esta inscrição: «Deus provavelmente não existe: deixe de angustiar-se e curta a vida» («There's probably no God. Now stop worrying and enjoy life»). «Provavelmente»: portanto, não se exclui totalmente que possa existir! Mas se Deus não existe, o crente não perdeu quase nada; se, ao contrário, Ele existe, o não-crente perdeu tudo.

Eu me coloco no lugar do pai que tem um filho deficiente, autista ou gravemente enfermo, de um imigrante que foge da fome ou dos horrores da guerra, de um operário que ficou sem trabalho, ou de um camponês expulso de sua terra... Pergunto-me como ele reagiria a esse anúncio: «Deus não existe: deixe de angustiar-se e curta a vida».
A existência do mal e da injustiça no mundo é certamente um mistério e um escândalo, mas sem fé em um juízo final, seria infinitamente mais absurda e trágica. Em tantos milênios de vida sobre a terra, o homem se adaptou a tudo; adaptou-se a todos os climas, imunizou-se contra toda doença. Mas a uma coisa ele não se adaptou nunca: à injustiça. Continua sentindo-a como intolerável. E a esta sede de justiça responderá o juízo universal.

Este não será só querido por Deus, mas, paradoxalmente, também pelos homens, também pelos ímpios. «No dia do juízo universal, não será só o Juiz o que descerá do céu – escreveu o poeta Claudel –, mas toda a terra se precipitará ao seu encontro.»

A festa de Cristo Rei, com o evangelho do juízo final, responde a mais universal das esperanças humanas. Assegura-nos que a injustiça e o mal não terão a última palavra, e ao mesmo tempo não exorta a viver de forma que o juízo não seja para nós de condenação, mas de salvação, e possamos ser daqueles a quem Cristo dirá: «Vinde, benditos de meu Pai, entrai em posse do reino preparado para vós desde a fundação do mundo».

por Frei Raniero Cantalamessa, Pregador do Vaticano *

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O mundo do jovem

Atualmente, os jovens de uma forma geral conhecem a Internet; sabem as músicas da parada de sucesso; as gírias do momento; as roupas que estão na moda; os artistas que estão em alta; e alguns poucos, ainda sabem acerca de cultura, política; dentre outros assuntos que permeiam as notícias mais em voga. Isso reflete a era da tecnologia, da modernidade, da rapidez, da competitividade; aspectos tão presentes no nosso cotidiano e que nos ordenam cada vez mais conhecimento atualizado e nos implicam em uma rotina de inúmeras exigências para sermos pessoas “ideais”; mas ideais segundo quem?
Infelizmente muitos jovens não sabem nem porque se submetem a certos imperativos do mercado; sejam no nível de atitudes ou de aquisição de bens de consumo; e o pior, não sabem nem distinguir suas verdadeiras preferências pessoais e se pedirmos para falarem de si ou dizerem quem são, não sabem responder ou dão respostas vazias. Os jovens se encontram tão imbuídos na realidade imposta; quer seja pela mídia, moda, sociedade capitalista; que lhes escapam o limiar entre o que originariamente são, acreditam e gostam; do que lhes é apresentado como bom, agradável, correto, e etc.
Ou seja, conhecem o mundo de fora, mas sabem muito pouco de si, não conhecem o mundo de dentro. É comum entre os jovens a dificuldade de expressão dos seus sentimentos, de dizerem o que se passa dentro deles. O dia ‘corre’ muito rápido, são muitos afazeres: escola, faculdade, família, reuniões, academia, televisão, computador; tudo isso faz com que não se tenha oportunidade para parar e encontrar as verdades existentes dentro de si; e a vida superficial é o caminho trilhado constantemente, o qual traduz uma resposta de uma vivência inautêntica. O reflexo disso são as pesquisas que demonstram a grande eclosão de casos de depressão, anorexia, bulimia, fobia, dentre outras patologias que acometem numerosa parcela da população mundial, inclusive entre os jovens.
As pessoas não “gastam” mais tempo com os outros, porque consideram ‘perca de tempo’. As relações interpessoais são hoje, na sua maioria, vazias e artificiais. Perde-se muito ao não conviver com as pessoas, e assim, poder revelar o grande mistério que é a vida do outro e a sua própria vida, que se expressa e se diz nos relacionamentos onde há caridade e doação de si, algumas dentre as características de uma amizade verdadeira. Considerando, que me conheço mais e contemplo a Deus no outro.
O desejo de Deus está inscrito no coração do homem, já que o homem é criado por Deus e para Deus; e Deus não cessa de atrair o homem a si, e somente em Deus o homem há de encontrar a verdade e a felicidade que não cessa de procurar. (Catecismo da Igreja Católica, 27).
Encontrar o mundo de dentro é encontrar o tesouro inesgotável da presença de Deus, daquele que pode saciar nossa sede de amor, e nos restituir a verdade de quem nós somos. O que nos torna pessoas autênticas e livres para testemunhar, em um mundo marcado pelo pecado, com a ousadia própria dos ungidos pelo Espírito Santo.
O fato de ser de Deus não castra nossa juventude, nem nos exime de desfrutarmos da beleza contida na obras da criação divina, pelo contrário, nos lança nos relacionamentos saudáveis, em uma vivência legítima. Ser um jovem de Deus é poder viver com intensidade, sendo livre verdadeiramente, podendo optar pelo bem e não se deixar escravizar pelo pecado, pelas paixões desordenadas e nem pelo simples prazer momentâneo, tão característico do pecado. Um jovem cristão vive livremente olhando para a eternidade, para o que não passa, espelhando-se no mistério do Relacionamento Trinitário.
Só Deus não muda, e é esse amor que nos motiva a dizermos não as ocasiões de pecado; é esse amor que nos faz levantar sempre; que nos leva a testemunhar concretamente a benevolência divina; que não nos faz desistir quando nos deparamos com nossas próprias fraquezas, que tantas vezes paralisam a nossa evangelização, a evangelização maior que manifesta-se através da nossa fidelidade a Deus.
Quando tivermos a coragem de encontrar Aquele que habita em nós e a humildade de sempre buscá-lO na oração, muitos O encontrarão na nossa maneira de ser. Já diz o salmo bíblico: Alegre-se o coração dos que buscam o Senhor. (Sl 5, 3).
Se o homem pode esquecer ou rejeitar a Deus, este de sua parte, não cessa de chamar todo homem a procurá-lo, para que viva e encontre a felicidade. Mas esta busca exige do homem todo o esforço de sua inteligência, a retidão de sua vontade, um coração reto e também o testemunho dos outros, que o ensinam a procurar a Deus.

sábado, 24 de julho de 2010

Capacitados para servir

Pentecostes é uma graça constitutiva - “que faz parte” - do grande mistério pascal, pelo qual o Filho - o Verbo de Deus encarnado - obteve para nós a remissão de nossas faltas e a garantia de participação na vida eterna, na comunhão com a Trindade Santa, Deus tem um propósito especial e muito definido ao nos dar o seu Espírito Santo: tornar possível a continuidade da graça da salvação para todas as gerações que se sucedem à morte e ressurreição de Cristo (cf. DIM, 1; DeV, 22 e 67). “ Recebereis o poder do Espírito Santo e então sereis minhas testemunhas [...] até os confins do mundo”, nos esclarecia Jesus (cf. At 1,8). “Assim como o Pai me enviou, assim estou enviando vocês [...]: recebam (para isso) o Espírito Santo! E o que vocês perdoarem, estará perdoado (cf. Jo 20, 21-23). O Espírito, pois, nos é dado não apenas como “penhor da nossa herança” eterna (cf. Ef 1 13-14; Gl 4, 6-7, Ti 3, 5-7), mas também para que posamos testemunhar a respeito da obra de Jesus (cf. Jo 15,26-27). “... é missão do Espírito Santo também o transformar discípulos em testemunhas de Cristo” conforme nos recorda João Paulo II, em sua Encíclica Catechese Tradendae, n. 72.
O Catecismo da Igreja católica (n.683) nos diz que “sem o Espírito não é possível ver o Filho de Deus, e sem o Filho, ninguém pode aproximar-se do Pai, pois o conhecimento do Pai é o Filho, e o conhecimento do Filho de Deus se faz pelo Espírito Santo.” E Paulo VI, em sua Encíclica Evangelli Nuntiandi, n.75, nos ensina que “nunca será possível haver evangelização sem a ação do Espírito Santo [...] Ele é aquele que, hoje ainda, como nos inícios da Igreja, age em cada um dos evangelizadores que se deixa possuir e conduzir por ele, e põe na sua boca as palavras que ele sozinho não poderia encontrar, ao mesmo tempo que predispõe a alma daqueles que escutam, a fim de a tornar aberta e acolhedora para a Boa Nova e para o reino anunciado. As técnicas da evangelização são boas, obviamente; mas ainda as mais aperfeiçoadas não poderiam substituir a ação discreta do Espírito Santo. A preparação mais apurada do evangelizador nada faz sem ele.
De igual modo, a dialética mais convincente, sem ele, permanece impotente em relação ao espírito dos homens. E, ainda, os mais bem elaborados esquemas com base sociológica e psicológica, sem Ele, em breve se demonstram desprovidos de valor.” Ou seja, é possível ter-se uma abundância de programas, de planejamentos, de projetos, e até de boas intenções, mas se não levarmos em conta, de modo efetivo e experiencial (e não apenas com retórica sociológica e teológica) a participação livre e soberana do operar do Espírito, podemos fazer muito barulho e colher poucos resultados em nosso trabalho de evangelização. Quem não leva à missão os recursos do poder do Espírito, dá de si mesmo; e o que nós temos a oferecer é sempre pouco para tocar o coração dos homens - uma vez que a mensagem cristã contém elementos que vão além da simples capacidade de compreensão intelectual, racional, dos seres humanos.
Desde os primórdios da evangelização, Paulo ressaltava: “O nosso Evangelho vos foi pregado não somente por palavra, mas também com poder, com o Espírito Santo e com plena convicção. Sabeis o que temos sido entre vós para a vossa salvação” (1 Tes 1, 5). E mais: “Também eu, quando fui ter convosco, irmãos, não fui com o prestígio da eloqüência nem da sabedoria anunciar-vos o testemunho de Deus. Julguei não dever saber coisa alguma entre vós, senão Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado. Eu me apresentei em vosso meio num estado de fraqueza, de desassossego e de temor. A minha palavra e a minha pregação longe estavam da eloqüência persuasiva da sabedoria; eram, antes, uma demonstração do Espírito e do poder divino, para que vossa fé não se baseasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus” (1 Cor 2,1-5) O Concílio Vaticano II, em seu documento sobre o apostolado dos leigos (Decreto Apostolican Actuositatem, n. 3), advertia: “Impõe-se pois a todos o dever luminoso de colaborar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e acolhida por todos os homens em toda a parte.
Para exercerem tal apostolado , o Espírito Santo - que opera a santificação do povo de Deus por meio do ministério e dos sacramentos - confere ainda dons peculiares aos fiéis (cf. 1Cor 12,7), “distribuindo-os a todos, um por um, conforme quer” (1 Cor 12, 11), de maneira que “cada qual, segundo a graça que recebeu, também a ponha a serviço de outrem” e sejam eles próprios “como bons dispensadores da graça multiforme de Deus” (1 Pd 4, 10), “para a edificação de todo o corpo na caridade” (cf. Ef 4,16).
A obra da Salvação é uma obra de Deus. E para realizar e cooperar com a obra de Deus, precisamos do poder de Deus, conforme nos foi prometido e dado (At 1,8). Assim como é louvável buscarmos o mais frequentemente possível a comunhão com o Senhor na Eucaristia, de igual modo é salutar pedirmos ao Senhor que nos batize, que nos sature constantemente com seu Espírito, capacitando-nos adequadamente para a missão. Abrir-se, pois, ao Espírito Santo e aos seus dons e carismas é a forma concreta de nos deixarmos interpelar por Sua Palavra e respondermos com fé e generosidade ao chamado que Deus, privilegiadamente, nos fez em Jesus Cristo , pelo Espírito! Amém!

BESERRA DOS REIS, Reinaldo.Celebrando Pentecostes: fundamentação e novena. Editora RCC BRASIL. Porto Alegre-RS)

Experimente silenciar

Olá, galera! Paz e bem! Um dos grandes erros que cometemos, nos dias de hoje, no que diz respeito ao seguimento de Cristo e até mesmo ao exercício de alguma função é o não saber silenciar.
Você já parou para pensar como facilmente perdemos a concentração? Qualquer barulho, por mais simples que seja, nos tira o foco, chama a nossa atenção e nos desvia do objetivo.
Já não bastasse essa tendência natural, o mundo também tem nos estimulado nisso, pois tudo é muito “barulhento”: as músicas, os carros, a rua. Não “escutamos o silêncio”, não ouvimos a voz da natureza, não ouvimos nem mesmo o irmão que está ao nosso lado, que mora conosco, que trabalha no mesmo departamento, e ainda mais: não ouvimos a voz de Deus, que fala no silêncio. Já percebeu que quando chegamos em casa a primeira coisa que fazemos é ligar o televisor ou o aparelho de som?
Se não soubermos silenciar, não escutaremos a voz de Deus, não escutaremos o irmão, não escutaremos nem mesmo a nossa consciência, e é nesse ponto que o erro acontece, erro que pode modificar uma vida inteira.
Ah, como seria bom se aprendêssemos a silenciar, como fazem os monges, os eremitas, os santos, os estudiosos, os místicos! Homens e mulheres que se refugiam em locais especiais, que de especial estes têm o silêncio, a natureza, a solidão. E quando não há ninguém por perto encontramos a Deus, encontramos a nós mesmos, encontramos a todos.
O silêncio é a primeira canção que o ministro de música precisa ouvir. Saber conviver com a solidão é sinal de maturidade espiritual.
A princípio não é fácil lidar com o silêncio, temos dificuldades. Mas isso é de se esperar, pois não estamos acostumados. No entanto, com disciplina e perseverança, tornamos o que não é natural em algo espontâneo.

Experimente silenciar. Deus abençoe.
"Tamu junto"!
Emanuel Stênio
Missionário e músico da Canção Nova

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Está chegando a hora da miserícórdia na sua vida!



 
´´Fui me recordando de todos os momentos difíceis que eu e minha família passamos, de todas as vezes que fui livrada da morte, mas também das minhas quedas, dos meus pecados e tantos e tantos momentos que eu preciso reconhecer: Só mesmo a Divina Misericórdia para ter me ajudado a chegar até aqui.
A Misericórdia chegou na minha vida quando tinha 16 anos, no auge da revolta, rebeldia, drogadição e bebedeiras. Meus pais não sabiam mais o que fazer comigo, mas foi justamente nesta época que minha mãe encontrou refúgio em Deus através de um grupo de oração e conheceu por meio da equipe de intercessão o terço da misericórdia. Eu me lembro daquela devoção… todos os dias às três horas da tarde minha mãe em seu quarto repetindo: “Pela sua dolorosa paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro…” Eu sabia que aquela oração era dedicada a mim por causa de tudo o que eu fazia porém tinha um coração muito duro e ignorava.
Jesus tem um jeito misericordioso para nos alcançar e foi o que aconteceu comigo. Num encontro de jovens me decidi: abri meu coração, me rendi, não dava mais, se eu continuasse eu iria morrer e perder minha alma, a HORA DA MISERICÓRDIA CHEGOU NA MINHA VIDA! Depois daquele dia tudo mudou…
Quem está no pecado não consegue enxergar, sentir, experimentar o amor de Deus. Com certeza você conhece pessoas, inclusive da sua casa, que se encontram com o coração fechado, duro, rebelde, cativos pelo mal, vamos mudar isso? Vamos rezar por elas? Vamos clamar a Divina Misericórdia sobre a vida delas, vamos pedir que a HORA da Misericórdia se antecipe em suas vidas?``

Eliana Ribeiro - Com. Canção Nova

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Voz da Igreja

O Papa Bento XVI assegurou que o século XXI "se abriu no sinal do martírio" e explicou que "quando os cristãos são verdadeiramente levedura, luz e sal da terra, tornam-se também, como Jesus, objeto de perseguição, sinal de contradição".
O Santo Padre visitou a Basílica romana de São Bartolomeu na Ilha Tiberina, com motivo do 40º aniversário da Comunidade de São Egidio, onde presidiu uma celebração da Palavra em memória das Testemunhas da Fé dos séculos XX e XXI.
Nesta entrevista assegurou que "a convivência fraternal, o amor, a fé, as tomadas de posição a favor dos mais pequeninos e pobres suscitam às vezes uma aversão violenta. Que útil é então olhar ao testemunho luminoso dos que nos precederam em nome de uma fidelidade heróica até o martírio!".
Meditando sobre o lugar, que lembra aos cristãos sacrificados pela fé, o Papa questionou: "por que estes mártires irmãos nossos não tentaram salvar a toda costa o bem insubstituível da vida? por que continuaram servindo à Igreja não obstante as graves ameaça e as intimidações?".
"Aqui sentimos ressonar o testemunho eloqüente daqueles que, não só no século XX, mas também desde os inícios da Igreja, vivendo o amor ofereceram no martírio sua vida a Cristo" e "lavaram suas túnicas branqueando-as com o sangue do Cordeiro", indicou.
Nesta última frase do Apocalipse, disse o Santo Padre, está a resposta ao porquê do martírio. A linguagem cifrada de San Juan contém "uma referência precisa à chama branca do amor que levou a Cristo a derramar seu sangue por nós. Em virtude desse sangue fomos purificados. Notando-se nessa chama, também os mártires derramaram seu sangue e se purificaram no amor".
Bento XVI recordou depois a frase de Cristo "Ninguém tem amor maior do que que dá a vida a vida pelos seus irmãos" e sublinhou que "tudas as testemunhas da fé vivem este "amor maior", conformando-se a Cristo e "aceitando o sacrifício até o final, sem colocar limites ao dom do amor e ao serviço da fé".
"Nos detendo diante dos seis altares que lembram aos cristãos cansados sob a violência totalitária do comunismo, do nazismo, aos assassinados na América, na Ásia e Oceania, na Espanha e México, na África, percorremos idealmente muitos acontecimentos dolorosos do século passado. Muitos caíram enquanto cumpriam a missão evangelizadora da Igreja; seu sangue se misturou com a dos cristãos nativos aos que tinham comunicado a fé", adicionou.
Do mesmo modo, o Santo Padre recordou que "outros, freqüentemente em condições de minoria foram assassinados por ódio à fé. E não são poucos os que se imolaram por não abandonar aos necessitados e aos fiéis que tinham sido confiados a eles sem temor a ameaças ou perigos. Estes irmãos e nossas irmãs na fé formam um grande afresco da humanidade cristã do século XX, um afresco das Bem-aventuranças, vivido até o derramamento de sangue".
"Aparentemente a violência, os totalitarismos, a perseguição, a cega brutalidade parecem mais fortes, sossegando a voz das testemunhas da fé, que aos olhos dos homens podem parecer derrotados pela história. Mas Jesus ressuscitado ilumina seu testemunho e assim compreendemos o sentido do martírio: o sangue dos mártires é semente de novos cristãos. Na derrota e na humilhação de quantos sofrem pelo Evangelho atua uma força que o mundo não conhece. É a força do amor, inerme e vitorioso, inclusive na aparente derrota. É a força que desafia e vence à morte", continuou o Papa.
O Pontífice finalizou sua homilia convidando aos membros da Comunidade de São Egidio a "imitar a coragem e a perseverança" dos mártires em "servir ao Evangelho, especialmente entre os mais pobres" e a ser "construtores de paz e de reconciliação entre os que são inimigos ou se combatem".
Fonte: Zenit.

A voz e a Palavra

João era a voz, mas o Senhor, no princípio, era a Palavra (Jo 1,1). João era a voz passageira, Cristo, a Palavra eterna desde o princípio.
Suprimi a palavra, o que se torna a voz? Esvaziada de sentido, é apenas um ruído. A voz sem palavras ressoa ao ouvido, mas não alimenta o coração.
Entretanto, mesmo quando se trata de alimentar nossos corações, vejamos a ordem das coisas. Se penso no que vou dizer, a palavra já está em meu coração. Se quero, porém, falar contigo, procuro o modo de fazer chegar ao teu coração o que já está no meu.
Procurando então como fazer chegar a ti e penetrar em teu coração o que já está no meu, recorro à voz e por ela falo contigo. O som da voz te faz entender a palavra; e quando te fez entendê-la, esse som desaparece, mas a palavra que ele te transmitiu permanece em teu coração, sem haver deixado o meu.
Não te parece que esse som, depois de haver transmitido minha palavra, está dizendo: É necessário que ele cresça e eu diminua? (Jo 3,30). A voz ressoou, cumprindo sua função, e desapareceu, como se dissesse: Esta é a minha alegria, e ela é completa (Jo 3,29). Guardemos a palavra; não percamos a palavra concebida em nosso íntimo.
Queres ver como a voz passa e a palavra divina permanece? Que foi feito do batismo de João? Cumpriu sua missão e desapareceu; agora é o batismo de Cristo que está em vigor. Todos cremos em Cristo e esperamos dele a salvação: foi o que a voz anunciou.
Justamente porque é difícil não confundir a voz com a palavra, julgaram que João era o Cristo. Confundiram a voz com a palavra. Mas a voz reconheceu o que era para não prejudicar a palavra. Eu não sou o Cristo (Jo 1,20), disse João, nem Elias nem o Profeta. Perguntaram-lhe então: Quem és tu? Eu sou, respondeu ele, a voz que grita no deserto: “Aplainai o caminho do Senhor” (Jo 1,19.23). É a voz do que grita no deserto, do que rompe o silêncio. Aplainai o caminho do Senhor, como se dissesse: “Sou a voz que se faz ouvir apenas para levar o Senhor aos vossos corações. Mas ele não se dignará vir aonde o quero levar, se não preparardes o caminho”.
O que significa: Aplainai o caminho, senão: Orai como se deve orar? O que significa ainda: Aplainai o caminho senão: Tende pensamentos humildes? Imitai o exemplo de João. Julgam que é o Cristo e ele diz não ser aquele que julgam; não se aproveita do erro alheio para uma afirmação pessoal. Se tivesse dito: “Eu sou o Cristo”, facilmente teriam acreditado nele, pois já era considerado como tal antes que o dissesse. Mas não disse; pelo contrário, reconheceu o que era, disse o que não era, foi humilde. Viu de onde lhe vinha a salvação; compreendeu que era uma lâmpada e temeu que o vento do orgulho pudesse apagá-la. (Sermão 293, 3: Patrologia Latina. 38, 1328-1329)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Se o Senhor o escolheu, também o capacitou.

Precisamos ter bem nítida em nossa mente a certeza de que o Senhor nos colocou em posição de destaque e de grande responsabilidade diante de Seu povo. Para isso, basta nos lembrarmos rapidamente de toda a história da salvação e de toda a iniciativa do Senhor para, movidos pelo imenso amor e misericórdia, trazer para Si as pessoas tantas vezes ingratas, desobedientes e infiéis.
Depois de Jesus Cristo e em Jesus Cristo, o Pai confiou a nós o anúncio da Boa Nova. É por esse motivo que nos deu o Seu Espírito Santo e espera uma resposta positiva e eficaz.
Já encontrei irmãos que não se deixavam guiar por Deus em seu ministério por causa de seus pecados e suas imperfeições, às vezes, por uma grande carga de acusação, e outras, por seus traumas e complexos. De nada adianta nossa eleição e a confiança que o Senhor tem em nós se não vencemos esses obstáculos e, com toda a alegria e esperança, nos lançamos em Seu serviço.
Pare um pouco e pense: Deus erra? Em algum momento da história o Senhor cometeu erros? Então, será que sua eleição foi o primeiro "erro" de Deus? Claro que não, meu querido irmão! Você é mais um acerto, um "goool" de Deus. Ele o conhece, deu-lhe dons e talentos e agora lhe dá o privilégio e a graça de colocá-los a serviço de Sua Igreja.
Claro que você tem imperfeições e pecados, mas coragem! Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Seu pecado não é maior do que o poder e a graça de Deus. Se Ele o escolheu, também o capacitou.



Do livro: "Ministrando a Música" - de Luiz Carvalho - Fundador da Comunidade Recado

O que é o Mistério ?

O que é o mistério?
Segredo? Enigna? Explicação? Carisma?
Tudo aquilo que a inteligência humana é incapaz de explicar ou compreender. Coisa ou elemento o culto, obscuro ou desconcertante.
O homem é ontologicamente um mistério, tem sua raíz no mistério, dele se nutre e n’Ele se encerra.

Por mais que busque desvendá-lo, sempre fica algo por descobrir!
O mistério pode nos levar a inquietações, a dúvidas salutares que, no entanto, não nos deixam perder o rumo. Porém, é preciso que o homem nunca esqueça que “Deus é um mistério” e muito mais, que “Deus se encontra no centro e não às margens da vida do homem”. Portanto a sabedoria está em viver cada dia e aprender com ele, a fonte da paz consiste em deixar as coisas serem.
“O que conhecemos de Deus são as pegadas de sua ausência.” São João da Cruz.
O mistério que nos envolve nos cala!
Já nos dizia Edith Stein, “mesmo o caminho da fé é um caminho obscuro”, para seguir a Deus, o homem precisa deixar de lado suas certezas e permitir envolver-se no Deus que é misterioso, e que paulatinamente vai se revelando ao homem.
“É próprio do amor se revelar, se dar a conhecer, mas também, como parte da mesmo movimento, deseja conhecer.”
“O Reino dos Céus é também semelhante a um tesouro escondido num campo. Um homem o encontra, mas o esconde de novo. E, cheio de alegria, vai, vende tudo o que tem para comprar aquele campo.
O Reino dos Céus é ainda semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. Encontrando uma de grande valor, vai, vende tudo o que possui e a compra.
O Reino dos Céus é semelhante ainda a uma rede que, jogada ao mar, recolhe peixes de toda espécie. Quando está repleta, os pescadores puxam-na para a praia, sentam-se e separam nos cestos o que é bom e jogam fora o que não presta. Assim será no fim do mundo: os anjos virão separar os maus do meio dos justos e os arrojarão na fornalha, onde haverá choro e ranger de dentes.
Compreendestes tudo isto? Sim, Senhor, responderam eles.

Por isso, todo escriba instruído nas coisas do Reino dos Céus é comparado a um pai de família que tira de seu tesouro coisas novas e velhas.” (Mt 13,44-52).

Cristo é o mistério que fascina! Foi ele que fascinou o negociante a vender tudo e comprar a pérola que tinha maior valor, é ele que impulsiona o homem a largar tudo e seguí-lo sem temer as conseqüências.. o mistério do chamado...o mistério do amor de Deus, que é capaz de loucuras! Só uma fortíssima e libertadora experiência de Deus explica essa desinstalação formidável.
Deus está sempre no centro. Quando todos os revestimentos caem, aparece Deus. Quando os amigos desaparecem, os confidentes atraiçoam, o prestígio social é ferido a machadadas, a saúde vai embora, então aparece Deus.

Quando todas as esperanças sucumbem, Deus levanta o braço da esperança. Quando todos os andaimes arriam, Deus transforma-se em suporte e segurança...

Quando todas as seguranças falham, quando todos os apoios humanos estão por terra e voaram os enfeites e roupas, a pessoa, nua e livre, encontra-se quase sem querer nas mãos de Deus...eis o sentido em viver o mistério:


Está livre, abandonado em Deus!!!!!!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Nossa Senhora Desatadora dos Nós.

Nossa Senhora Desatadora dos Nós é apenas um entre os 2.000 títulos de Maria. Ela nasceu na Alemanha, em 1700, como Maria Knotenlöserin (do alemão knot, “nó”, e löser, “desatar”). Na época, o presbítero da capela de St. Peter Am Perlach, na cidade de Augsburg, encomendou ao pintor Johann Schmittdner um quadro de Nossa Senhora. Para compor o painel foi buscar inspiração nos dizeres de Santo Irineu, Bispo de Lyon, no Século III: “Eva atou o nó da desgraça para o gênero humano; Maria por sua obediência o desatou”.

Maria é representada como a Imaculada Conceição e encontra-se entre o céu e a terra. O Espírito Santo derrama sua luzes sobre a Virgem. Em sua cabeça vemos 12 estrelas. Um dos anjos entrega-lhe uma faixa com nós grandes e pequenos, separados e juntos. Estes nós simbolizam o pecado original e nossos pecados cotidianos, que impedem de a graça frutificar em nossas vidas. Na parte inferior do quadro vemos que a faixa cai livremente e que um nó está desatado. Há um anjo, um homem e um cachorro que dirigem-se à uma igreja. Parece ser uma referência ao livro de Tobias (6,13) onde este empreende uma longa e penosa viagem quando conhece Sara que já casara sete vezes e que na noite de núpcias seus maridos morriam devido a um demônio que dela se enamorara. Tobias casa-se com ela e volta à casa de seu pai. Isto significa que há de se desatar primeiro os nós para que dois corações venham se encontrar.

Assim, Nossa Senhora Desatadora dos Nós é invocada como aquela que nos ajuda a tirar todos os males de aflições que nos escravizam e nos tornam infelizes e pessimistas, dando-nos a verdadeira liberdade que só seu Filho Nosso Senhor Jesus Cristo pode nos dar.

A pintura não demorou a se tornar objeto de culto dentro dos limites de Augsburg e depois se espalhando pelo mundo.
Uma cópia desta pintura é venerada em Buenos Aires, Argentina, para onde foi levada pelo bispo Dom Bergoglio. Maria é representada como a Imaculada Conceição.
* Devoção da N. Sra. Desatadora dos Nós: Invocada em casos de desespero e necessidades (saúde, emprego, Reconciliação conjugal, dívidas, ETC).

Desde 2005, na Igreja de São Vicente Mártir, no bairro Camaquã, zona sul de Porto Alegre, teve início a NOVENA PERPÉTUA DE NOSSA SENHORA DESATADORA DOS NÓS todas as quartas-feiras às 06:30, 15:30 e 19:00. Agora também às 09:30.

Evangelizar no Poder de Deus

PODER
Somos chamados a evangelizar com o poder de Deus! O poder do Amor de Deus, que cura os enfermos, que levanta o caído, que faz desaparecer para sempre a tristeza e a depressão. Poder que cura a desesperança, poder que liberta do maligno, poder que faz o coxo andar, o cego ver, o prisioneiro ser libertado. Poder na pregação, poder nas palavras de sabedoria, de discernimento, de profecia, de entendimento, de ciência. Poder para testemunhar Jesus Ressuscitado, Vivo no meio de nós, resposta para as angústias, incertezas, ansiedades e medos do homem do terceiro milênio. Sim! Somos chamados a evangelizar com o poder de Deus e é exatamente este poder que tem convencido multidões de que Jesus está vivo e cumpre as suas promessas de dar testemunho à nossa pregação e ressuscitar mortos, curar enfermos, libertar endemoniados, livrar os seus anunciadores dos perigos que acompanham o anúncio (MC 16,17).
Porém, a manifestação máxima do poder de Deus, aquela que revela sua perfeição absoluta – a perfeição do amor – aquela que tem o poder de converter os corações mais empedernidos é a sua misericórdia! Este poder máximo do Criador, expressa-se em sua ...

Sabedoria
...que consiste em amar e amar sempre, amar em toda circunstância, amar apesar de tudo, amar apesar do erro do outro, amar até mesmo por causa do erro do outro. Consiste em perdoar e perdoar sempre, acolher e acolher sempre a todos e a cada um, a qualquer um, mas muito especialmente ao mais necessitado. Consiste em amar o inimigo, o desagradável, o que nos prejudicou, de forma mais profunda, cuidadosa e amável que a todos os que nos agradam. Consiste em manter os olhos em Deus em meio ao sofrimento, em aceitar humildemente nada compreender quando a dor nos abraça, em recomeçar, com humildade e esperança o que, em nossa visão limitada tínhamos dado por encerrado. Consiste em partilhar sempre, partilhar tudo, mesmo quando se tem pouco, mesmo quando não se tem nada. Consiste em socorrer o necessitado, em dar sem esperar receber, em dar sempre mais do que é pedido. Em visitar, escutar, ser presença para o doente, o velho, o necessitado, o solitário.
Sabedoria que consiste em obedecer humildemente o que ensina o Evangelho, em viver humilde e filialmente o que orienta a Igreja, em acatar com humilde gratidão e confiança o que parece ultrapassar a nossa lógica. Sabedoria que consiste em enfrentar o que em nós se levanta contra o conhecimento de Deus, em vencer o que em nós se levanta contra a caridade, em derrotar o que em nosso interior insiste em nos roubar a liberdade que Cristo nos conquistou. Sabedoria que não depende de conhecimentos intelectuais, que não depende de capacidades intelectivas, mas de abandono, abandono e confiança no Espírito de Deus. Sabedoria que é misericórdia, sabedoria que é caridade, sabedoria que é confiança: a sabedoria...

De Deus
... do Deus Uno e Trino que nos ama com este tipo de amor, este tipo de poder, este tipo de sabedoria. Sabedoria da Trindade, acima da sabedoria dos grupos e culturas humanos. Do Amor Trinitário, acima do amor humano, ao qual inspira e mantém. Do Altíssimo, acima das baixezas de nossa visão. Do Santíssimo, muito acima de nossas pobres perfeições morais. Do Boníssimo, muito acima de nossos pequenos atos de bondade. Do Salvador, muito acima dos seus dons e sinais visíveis de salvação. Do Criador, muito acima de nossa pobre criatividade. Do Redentor, muito acima de nossas ações sociais. Do Pai, muito acima do nosso amor familiar, que o dele inspira. Do Filho, que diviniza nossa humanidade. Do Espírito, que santifica a cada um, a todos e a tudo. Do Deus Homem que tudo recoloca sob a ordem do amor quando se estende, Homem e Deus, sobre a cruz. Da Cruz, símbolo e resumo, profundeza e amplidão, resposta e questionamento da Sabedoria de Deus. Pois a este Cristo, a este Crucificado, o Pai, no gesto cume de sua sabedoria, o fez..

Deus Homem ressuscitado
... para nos ensinar o quanto seus pensamentos distam dos nossos e o quanto seu poder e sabedoria chamam-se, como ele, o ilógico, inesperado, indescritível, insondável AMOR.
A quem testemunhamos
“Nós anunciamos Cristo Crucificado, que para os judeus é escândalo, para os gentios é loucura, mas para nós, que somos chamados, é Cristo, poder de Deus, sabedoria de Deus. Mas, a este Cristo, Deus o ressuscitou e disso nós somos testemunhas.”
Sim, somos não somente anunciadores, mas testemunhas de um amor que nosso pobre amor reflete, mas que é, eternamente, muitíssimo acima do nosso. Somos testemunhas do amor que vive!

Seguindo para o Sagrado Coração de Jesus

“Vinde a mim...” É esse o chamado de Jesus para cada um de nós, e em especial neste mês de Junho, o Mês do Coração de Jesus. É desejo desse Coração Divino que nos acheguemos a Ele em todas as circunstâncias, no alívio ou na aflição. No alívio Ele participa conosco e na aflição Ele é o remédio.

Somos convidados a mergulharmos na imensidade de sua misericórdia, desse Coração sempre aberto para nos acolher.
Precisamos como Maria na passagem no Evangelho de Lucas 10, 38-42, escolher a melhor parte, ficar aos pés do Senhor. Ficando aos pés do Senhor O conhecemos melhor, O entendemos melhor e nos tornamos mais íntimos, amigos e conhecemos o seu Coração.
É assim que precisamos seguir, seguir na intimidade com o Coração de Jesus, seguir com o Coração de Jesus.

♫Quero entrar no aconchego do Coração de Deus, repousar seguro, mergulhar no mar de Misericórdia que encontro em Deus... Quero estar, ficar bem protegido dos meus inimigos no Coração de Deus...♫ (letra e música: Luiz Carvalho)

Seguindo para esse Coração Divino, podemos ter a certeza de que Ele não é indiferente a nossas dores. Ele sente o nosso penar e também se alegra conosco. O convite de Jesus no evangelho é claro: “Vinde a mim vós todos que estás aflitos e eu vos aliviarei...”, por isso no acheguemos a Ele.
Convido você a esse mês do Sagrado Coração de Jesus mergulhar nessa espiritualidade tão simples e tão profunda. No Coração de Jesus você tem um lugar que é só seu, e que mais ninguém pode ocupar porque tem o seu tamanho. Tome posse desse amor, dessa riqueza que também lhe pertence.
Seguindo com o Coração de Jesus confie.

“Coração Divino de Jesus, providenciai.”

segunda-feira, 31 de maio de 2010

A Trindade em nós

O Relacionamento Trinitário transborda para as criaturas. Da mesma forma que as três Pessoas da Santíssima Trindade vivem um relacionamento íntimo, um diálogo de amor entre si, elas desejam viver esse diálogo com cada um de nós. O Filho que se inclina para o Pai e "permanece" um no outro (Jo 1,18). O Filho e o Espírito Santo que juntos se voltam para o Pai; Ambos enviados para uma missão, pelo Pai. Sua ação é tão unida que quase se confunde um com o outro (Rm 8,2.9-10). Tanto Jesus quanto o Espírito Santo vivem e agem em nós. Esta união dos dois se abre para a fonte comum, para o Pai (Rm 8,11; Jo 14,26). O Pai e o Espírito Santo estão unidos no amor a Cristo. A vinda de Jesus ao mundo é obra do Pai e do Espírito Santo (Lc 1,35). São os dois que orientam a caminhada de Jesus. É o Filho de Deus porque se deixa conduzir pelo Espírito Santo (Rm 8,14).

A Trindade totalmente feliz e perfeita em si mesma, não fecha dentro de si sua vida, seu bem, sua felicidade, mas quer compartilhar seus bens próprios com as suas criaturas. A Trindade deseja iniciar um diálogo com o homem. Não apenas a divindade única, mas cada uma das três Pessoas deseja ter uma relação especial com ele, levando-o a encontrar e firmar sua identidade. Deus chama à existência inúmeros seres para comunicar-lhes a bondade e a felicidade em diferentes graus e modos. Não por necessitar das criaturas, por que elas nada podem acrescentar à Sua glória e felicidade (Eclo 42 21). Não por haver nelas algum bem ou amabilidade, mas para fazê-las participantes de Seu bem. Por mais que Deus se doe às inúmeras criaturas, jamais Se esgotará, e tudo que Ele toca se transforma em bem.

Nós e o Pai
Temos uma relação especial com o Pai. Somos considerados por Ele, Seus filhos. É Cristo que nos leva a Ele: "Ninguém vem ao Pai senão por mim" (Jo 14,6). É vivendo e amando no Cristo que vivemos e amamos no Pai (Jo 16,27; Jo 14,21). Em Cristo, o Pai deseja ter essa vida de união com cada um dos seus filhos. Deseja participar e interferir na história de cada um de nós. A vida de cada homem tem muito valor para o Pai e Ele deseja cuidar dela, para isso necessita viver conosco um relacionamento íntimo e concretiza isto fazendo morada no nosso coração(Jo 14,23). Morar um no outro é a intimidade da convivência. Deus deseja conviver conosco, partilhar vidas. E este nosso relacionamento com o Pai é participado com o Filho e o Espírito Santo. Cada pequeno detalhe de nossas vidas não passa despercebido diante Dele, porque Ele nos ama.

Nós e o Filho
Jesus assim roga ao Pai: "Dei-lhes a glória que me deste, para que sejam um, como nós somos um: Eu neles e Tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade, e o mundo reconheça que me enviaste e os amaste, como amaste a mim" (Jo 17,22s). A profunda e misteriosa união entre as três Pessoas divinas, Jesus quer vê-la prolongada em nossos corações. Nós somos para Jesus seus "irmãos" (Lc 12,4; Jo 15,15). Ele é o nosso eterno intercessor diante do Pai. Nós somos tão importantes para Ele, no Pai, que Ele deu Sua vida por cada um de nós, e destruiu o muro de inimizade entre nós e os Três. Ele nos revela o Pai e o Espírito (Jo 15,9s). São Paulo chegou a viver esta intimidade total e radical da Trindade e com a Trindade, através de Cristo: "Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim"(Gal 2,19s). O Pai e o Espírito Santo se alegram e nos impulsionam a intensificar nossa relação íntima com Cristo, pois assim intensificam nossa relação íntima com Eles.

Nós e o Espírito Santo
E como não poderia deixar de ser, nós temos também uma relação especial com o Espírito Santo. A relação do Filho com o Pai, quem nos introduz nela é o Espírito Santo: "O Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos disse" (Jo 14,26). O Espírito Santo nos fará "conhecer", isto é, vivenciar o mistério divino. Nós somos templos do Espírito Santo e por habitar dentro de nós, por viver conosco na intimidade, nós podemos conhecê-lo e Ele pode nos ensinar profundamente (Rm 8,16). É necessário que como Jesus, nos deixemos conduzir pelo Espírito Santo para nos tornarmos filhos de Deus (Rm 8,14-16) e podermos ter essa relação íntima, filial, porque o Espírito Santo foi derramado nos nossos corações (Gal 4,6). É Ele quem nos santifica, quem nos ensina a rezar, a falar com o Pai, pelo Filho. É Ele quem socorre a nossa fraqueza e ao dialogarmos com Ele, o nosso diálogo está aberto e transparente para o Pai e o Filho.

Na Trindade encontramos nossa identidade
Esta vida de união com cada uma das Pessoas da Santíssima Trindade é a nossa realização mais profunda: "a gloriosa liberdade dos filhos de Deus"(Rm 8,21). A morada da Santíssima Trindade em nossos corações, a "permanência" com a Santíssima Trindade tem o objetivo de nos santificar e nos transformar sempre mais na imagem do Filho de Deus (Rm 8,29). Este relacionamento íntimo entre cada Pessoa da Trindade e o homem o levará a viver "pela Trindade", isto é, viver pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito, transformando-o cada vez mais semelhante ao Filho, que serve e ama o Pai no Espírito Santo. Precisamos crescer cada vez mais nesta vida de união com eles. É isto que Deus nos chama a viver.

Tome Col 3,1-3: Nossa identidade, nossa origem e nosso fim último é Deus. Numa imagem bem simples: nós só conhecemos nosso rosto quando temos um espelho. Caso não tenhamos, nunca de fato saberemos como e quem nós somos e viveremos às custas daquilo que dizem de nós ou de como os outros nos vêem. Da mesma forma nossa verdadeira identidade, imagem e rosto só podem ser vistos se temos Deus como espelho, pois Ele é o nosso criador e só Ele pode dar a vida, como já no-la deu. É na oração, na busca desse Tu que encontraremos o verdadeiro EU e teremos curadas as deformações que temos da nossa própria imagem. No seu amor Deus nos convida e chama a participarmos da mesma dinâmica que Ele tem dentro de si mesmo. Se o Pai só se reconhece como Pai no Filho, da mesma forma eu só serei verdadeiramente filho(a) de Deus, só serei pessoa íntegra, inteira e livre quando participar da vida trinitária desde agora neste mundo. Nós fomos feitos à imagem e semelhança de Deus e isso significa que nós temos com Ele a mesma relação de origem, ou seja, o amor. Cada um é único, especial e insubstituível, como nos asseguram as Escrituras (cf. Is, 43,1-5), e cada um é fruto dessa infinita e abundante criação que nunca se esgota e nunca se repete (eis aqui um argumento lógico, real e irrefutável contra a mentira da reencarnação).

A oração nos dá o verdadeiro sentido da individualidade e da autonomia que cada ser humano tem diante de Deus e diante de si mesmo. Olhando para o Pai, para Jesus e para o Espírito Santo como pessoas reais e vivas, veremos que nós também estamos nos tornando reais, pois a realidade não é Cristo?(cf. Col 2,17), no sentido pleno da palavra e portanto vivas. A oração voltada para a realidade da Trindade nos ensinará também a nos relacionarmos uns com os outros pois sendo Deus comunidade de amor, nos levará também a sê-lo. A oração verdadeira diante do Senhor nos arrancará das garras do nosso egocentrismo capaz de nos levar à morte, e nos assegurará o papel que temos a cumprir no Reino, dentro da soberana e perfeita vontade do Pai, sendo servos e transparentes uns com os outros.

Formação da Escola de Formação Shalom

terça-feira, 25 de maio de 2010

Evangelizar

De onde começar?
Quais as oportunidades que temos para evangelizar?
Quantas oportunidades Deus nos deu para evangelizar por meio da música, mas as deixamos passar, porque ainda esperamos aquela... Sabe aquela oportunidade?

Muitas vezes, nos acostumamos com as grandes coisas: missões, grupos lotados, muita gente aclamando e cantado a partir da nossa condução [musical].

Não podemos nunca nos esquecer de que Deus, muitas vezes, nos dá oportunidades aparentemente bem pequenas, mas, nelas, podem estar guardadas grandes graças para nós ou para quem escuta aquilo que estamos tocando e/ou cantando.
O inimigo de Deus coloca em nossos corações a tentação de nos animarmos muito com os grandes eventos e situações nas quais temos um som de grande potência, uma boa banda e um grande número de participantes, etc. Sim, devemos nos animar, mas devemos também, diante dessas oportunidades e dentro de nós, canalizar essa animação para a glória de Deus, agradecendo a Ele pela confiança e oportunidade.

Infelizmente, caímos no sutil erro da empolgação e acabamos por viver toda essa alegria sozinhos, esquecendo-nos da batalha que existe por trás de tudo isso e ficamos vulneráveis à ação do inimigo; na mais grave das situações, barramos totalmente a graça, a cura e o milagre para aquele povo que nos escuta, ou para nós mesmos.
Seja qual for a oportunidade que temos de exercer o nosso ministério, é um chamado que Deus nos faz. É um povo que espera, é uma batalha a ser travada e, já posso dizer, um inimigo a ser vencido ou até mesmo um meio do Senhor trabalhar nos nossos corações. Mas por trás de qualquer lugar aonde iremos tocar ou cantar, a nossa vida deve ser a primeira oportunidade de cantarmos. Por isso, devemos cantar com a vida e, para isso, precisamos ser, primeiramente, homens e mulheres de oração. Músicos ou musicistas, precisamos ser coerentes com o que cantamos e, aí sim, conseguiremos cantar a vida.

Resumindo: simplicidade, oração e coerência. Se conseguirmos viver essas três palavras, com certeza, a última delas será abundante em nós: a unção.
Volto à pergunta inicial: "De onde começar?". Começo da oportunidade que Deus me dá, com muita sabedoria e discernimento. Muitas vezes, ela é gradativa, outras vezes, é um grande susto para nós, além das nossas capacidades; outras vezes, as oportunidades desaparecem. Para cada um, Deus tem uma pedagogia, pois para Ele somos únicos.

Deixo outra pergunta: "Qual a pedagogia de Deus para você? Por que Ele escolheu você como ministro de música da Sua Igreja?
Deus abençoe você e o seu ministério!
André Florêncio
Ministro de música e missionário da Canção Nova

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Vinde, Espirito Santo

Poucas vezes atentamos para o fato de que o Espírito Santo de Deus é uma Pessoa, viva, real, uma Pessoa Divina que nos ama e que está ao nosso lado a cada momento, sempre. Quando suplicamos: "Vinde, Espírito Santo", não estamos pedindo simplesmente: "Vinde, ó força de Deus", mas estamos suplicando: "Ó vem, Espírito Santo de Deus, vem sobre mim, porque és Deus, és o puro amor e eu preciso de ti, como pobre criatura que sou!".

Precisamos continuamente suplicar a Luz de Deus: "Envia do céu um raio de tua Luz, arranca-me das trevas, as trevas que são o pecado, que é o olhar tanto para mim e tão pouco para ti e para meus irmãos. Faz-me ver a tua luz neles, naqueles que na tua divina providência puseste ao meu lado. Que eu possa contemplar a tua beleza, a tua pureza, a tua santidade naqueles que são criados à tua imagem e semelhança".

É tão fácil contemplar os defeitos! Mas para os puros, tudo é puro; e os santos, os que são cheios da Luz do Espírito de Deus, conseguem ver as coisas, o mundo, as pessoas, com os olhos de amor e misericórdia que só pertencem a Deus. Ele é o Pai dos pobres, por isso podemos suplicar: "Vinde a mim, que sou pobre". Pobre de virtudes, pobre de méritos. Eu preciso de ti, Senhor, preciso de teus dons, de tua força, preciso estar continuamente na tua presença. Sei que estás continuamente em mim, mas eu nem sempre me apercebo disso, nem sempre deixo-me guiar por tuas moções e inspirações". Temos tanto medo de não ser felizes que acabamos por desprezar aquele Único que nos pode trazer a felicidade.

Quem somos nós para recusar os dons de Deus? Como ousar dizer que não necessitamos dos dons divinos ou, pior, trocá-los pelos dons dos homens? Como preferir a sabedoria deste mundo à Sabedoria que vem do Espírito Santo? Seria incoerência querer galgar os cumes da sabedoria deste mundo sem buscar a ciência de Deus acima de tudo. Lembro-me agora do que disse Jesus: "Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, por teres ocultado isto aos sábios e inteligentes e por tê-lo revelado aos pequeninos" (Lc 10,21). Como temer a Deus se não nos preenchemos de seu Amor? Sem o Amor de Deus nos nossos corações, a nossa fidelidade é legalismo e o nosso zelo é orgulho. "Sim, Senhor, sem os teus dons, nada sou, e ainda sou um nada soberbo!".

"Espírito Santo, tu és meu consolo". Há tantas tristezas nesta vida... Tantas dores e tribulações... Mas não há dor maior que aquela dor escondida dos que não amam a Deus. O Espírito Santo é o nosso consolo, é aquele que nos diz: "Não temas, o Pai te ama"! "Sim, Senhor, e tu não estás distante. Não és uma força estranha, alheia, fora de mim. Não, tu moras em mim. És o doce Hóspede da alma. Estais tão perto, não preciso buscar longe, esforçar-me para te encontrar". Saber que Deus está tão perto de nós, que habita em nós, é o grande consolo de nossa alma vacilante, insegura.

O Espírito Santo é o nosso "descanso no trabalho". Como diz o salmista: "É inútil levantar de madrugada ou até à noite retardar nosso repouso quando aos seus amados Deus concede o pão enquanto dormem" (Sl 127,2). Sim, é inútil ganharmos o mundo com nossas próprias forças se viermos a perder Deus, é inútil a aflição se podemos a Ele tudo confiar e esperar. O Espírito é nossa brisa leve.

"Por isso, eu vos peço, Senhor, com todas as forças do meu ser: incendiai o meu coração com a chama do teu amor. Sim, incendiai! Que meu coração arda de amor".

"Sem a tua Luz que acode, nada o homem pode, nenhum bem há nele. Então, enche-me de ti! Lava-me, purifica-me, rega a minha alma para que eu possa dar os verdadeiros frutos de santidade que só brotam do coração que ama. Cura-me, Senhor, não permitas que minhas feridas e mazelas me prendam em mim mesmo e longe de ti".

Quantas vezes também declaramos que temos o coração muito duro, mas só o Espírito pode transformar essa realidade, só Ele arranca do nosso peito o coração de pedra e nos dá um coração novo, um coração de carne. Renovemos a nossa fé. Muitas vezes pedimos algo a Deus sem esperar de fato receber aquilo que pedimos. Ele é Deus, Deus nos ama e é capaz de nos fazer santos. A santidade não é um alvo impossível, precisamos crer nisso verdadeiramente. Não é por nossas forças, é pelo poder de Deus e a nós cabe apenas desejar, abrir o nosso coração para a ação do Espírito Santo, ser dóceis ao Amor. Por fim, oremos junto com a Santa Igreja:

Espírito de Deus,
enviai dos céus
um raio de luz!

Vinde, Pai dos pobres,
dai aos corações
vossos sete dons.

Consolo que acalma,
hóspede da alma,
doce alívio, vinde!

No labor descanso,
na aflição remanso,
no calor aragem.

Enchei, luz bendita,
chama que crepita,
o íntimo de nós!

Sem a luz que acode
nada o homem pode,
nenhum bem há nele

Dobrai o que é duro
guiai no escuro
o frio aquecei

Dai em prêmio ao forte
uma santa morte,
alegria eterna.
Amém.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Segunda Feira, 17 de maio de 2010


O Senhor está conosco todos os dias, mas quanto tempo nós estamos com Ele?
Deus sente saudade de nós e aguarda ansiosamente o nosso retorno para vivermos numa profunda comunhão com Ele em todos os momentos da nossa vida. Hoje é o dia de voltarmos à presença do Altíssimo, onde quer que estejamos.
O próprio Senhor nos chama: “Vinde a mim vós todos que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mt 11,28).
A maior graça para a nossa vida é viver com Jesus. Quando estamos com Ele tudo é bom e nada nos parece difícil, por mais desencontrado que esteja tudo à nossa volta. Estar com Jesus é um paraíso. Se Ele está conosco nenhum inimigo poderá nos prejudicar ou abater.
Vamos adorar a Deus hoje? Na sua paróquia ou na igreja mais perto o Senhor está esperando por você. Mas se você não tem como fazer isso, não se esqueça de que Jesus está em seu coração: adore-O em espírito e em verdade.
Jesus, ensina-nos a adorar-Te.
Jesus, eu confio em Vós