sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O Tesouro que o Mundo Procura ...





Ao longo de nossa vida, adquirimos falsos tesouros ...

A juventude é a fase em que mais sofremos as investidas do inimigo de Deus, enfrentamos as maiores batalhas e temos sentimentos à flor da pele. É uma guerra em que nos machucamos e ficamos, muitas vezes, mutilados. É difícil, porém, não ir para a guerra significa não conhecer o sabor da vitória. Quem não luta, não tem muitos problemas nem dificuldades, mas também não alcança a vitória. É assim que acontece com alguém que está em pecado: como um porco, se lambuza todo e se mistura tanto à lama, que não quer sair mais. E mesmo sendo lavado, o porco retorna à lama.



Quem não luta contra o pecado se torna semelhante a esse animal, acostumado à vida do chiqueiro. Muitas vezes, permanecemos no pecado e nas consequências deste, porque não quisemos lutar. Há uma história sobre um homem e seu baú cheio de tesouros, os quais colecionava e comercializava. Além do baú, possuía tecidos, tapetes, terras, gado, cavalos, casas, enfim, era muito rico. Viajava bastante e sempre comprava algo que não possuía. Assim foi ajuntando tesouros, até que, um dia, numa das viagens, deparou-se com uma pérola negra e encantou-se. Era a única no mundo!



Em nenhum dos lugares pelos quais já havia passado, havia visto aquele tesouro. Quis possuí-la e foi até o dono da pérola. Pelo fato de não haver nada parecido no mundo inteiro, o proprietário tinha todo o direito de pedir o valor que quisesse, e foi o que aconteceu. Ele pediu um preço tão alto, que era quase impossível alguém possuir todo aquele dinheiro. O comerciante achou o preço exorbitante, mas, como um bom negociante, fez o cálculo de todos os seus bens, incluindo a roupa do corpo, e percebeu que teria o dinheiro suficiente para comprá-la. Voltou para casa, juntou tudo, vendeu, comprou a pérola e saiu vestido com o mínimo necessário para não estar nu. Olhava o bem recém-adquirido sem ter para onde ir, pois tinha vendido a casa e tudo o que possuía. Achou então uma árvore e sentou-se à sombra, contemplando o seu tesouro. Ninguém era mais rico do que aquele homem, mas também ninguém era mais pobre do que ele. Nada custava mais do que a sua pérola e ele era feliz. Havia encontrado o que sempre buscara.



Aquele homem acumulou riquezas por toda a vida, achando que nelas seria feliz, até encontrar a pérola. E, quando a encontrou, teve de se desfazer de tudo para comprá-la. Nossa situação é parecida: não temos carneiros, tesouros, contas bancárias "gordas", cheque especial, muitos não têm carro nem cartão de crédito, mas, ao longo de nossa vida, adquirimos falsos tesouros, como o pecado, por exemplo. Ele nos impossibilitou de buscar o tesouro da felicidade e da paz, que é o próprio Deus. A mesma paz que Ele fez acontecer quando se levantou no barco e mandou o mar ficar calmo. Jesus é essa paz na agitação da vida. A alegria verdadeira e plena.

Muita gente procura esse tesouro em lugares impróprios e não o encontra. Sabemos que Cristo está em todas as pessoas, mas não em todas as situações. Existem situações em que somente o diabo está. E nessas situações é que, ao longo da vida, fomos buscar a felicidade: numa zona de prostituição, na boca de fumo, numa butique gastando além do que podíamos e ficando endividados. Buscamos a felicidade na violência, na loucura, na moda, na novela, na traição, em situações nas quais Deus não está, e acumulamos misérias dentro de nós.

Hoje, alegre-se! Sua busca acabou! Até mesmo o que temos de material, adquirido com muito custo e trabalho, passa a ter mais valor, mais sentido e mais gosto, porque encontramos o grande tesouro, que é o próprio Deus.







Do livro: “Sementes de uma nova geração”

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Dom e Graça do Espírito

Deus é:
· Amor
· Trindade, um só Deus, uma só natureza divina em três pessoas, uma comunhão de amor.
Gênesis 1,26 - Façamos o homem a nossa imagem e semelhança. "Não é bom que o homem esteja só."

Deus não pensou no homem como um ser solitário!
O homem foi criado para uma comunhão de amor, para viver em comunidade. A história do povo de Deus! Deus chamou homens para conduzir o povo a imagem e semelhança de Deus comunhão. Viver em comunidade é para todos os homens.

O que é a Igreja?
Deus pensou na Igreja como uma comunidade. Porém... O pecado entrou no mundo para dividir o homem de Deus, de si mesmo e do seu irmão. Quebrou a unidade interior do homem e nos incapacitou para amar desinteressadademente.

No entanto.... Jesus veio nos salvar, nos reconciliar com Deus, com o próximo, consigo mesmo.
Capacitando-nos a amar de novo. Retorno ao projeto original de Deus

Nosso mundo atual não nos estimula para viver em comunidade: individualismo, egoísmo, fechamento. Minha individualidade deformada e absolutizada; torno-me o centro de todas as coisas! Temos medo de comunhão porque temos medo de nos perder. No fundo, não nos temos. Queremos saber do outro quando o outro ou algo nos interessa.

A obra de salvação chega à sua plenitude na comunhão cristã, crescendo em unidade com Deus, consigo próprio e com os irmãos. Ser comunidade não é uma entre muitas formas de ser cristão, mas a única forma de ser cristão. O cristianismo é essencialmente comunitário. Nas comunidades novas, somos chamados a viver em comunidade de maneira mais radical.

Ser comunidade é um chamado para todo cristão (Jo 17,1-21). Porém.... Não conseguimos viver esse ideal contanto apenas com nossas próprias forças. É Deus quem nos sustenta.

Dentro da RCC, Deus tem inspirado Comunidades, extensões mais especificas do grande chamado feito a todos os batizados de viverem em comunidade.

- Surgem da oração e do discernimento.
·- Existem para estar a serviço da Igreja e não em função de si mesmas.
- Devem passar por um processo de discernimento no inicio, não abafa-la, nem enche-la de normas, mas discerní-la e isso leva tempo...
- Não são grupos de oração crescidos; Comunidade não é um produto natural de um grupo de oração de muitos anos, com se fosse natural e obrigatório todo grupo de oração "virar" comunidade. É um chamado especifico de Deus. Não é um invenção humana.
- São diferentes entre si, embora as oriundas da RCC tenham pontos em comum derivados que são da mesma graça.
- Se não nascem do coração de Deus não subsistem. Ex: Arca de Noé (Gn 6,11; 8,19) Babel (Gn 11,1-9).
- Vão se formando gradativamente. A fidelidade presente atrai a benção futura.

É importante entender a Renovação Carismática como uma graça e não como uma estrutura. Graça dada para a Igreja. Na definição de nossa comunidade perdemos pessoas que não se identificam com a proposta. Não tem como uma comunidade crescer em quantidade e qualidade sem vida de oração pessoal e comunitária. Comunidade sem oração não é comunidade, mas uma obra de serviço à Igreja. Essa oração, centrada em Cristo, acontece ao redor do carisma ou da oração normativa da Igreja.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

“Não existe Vida Comunitária se não existir Corações Orantes"

A Comunidade é um Dom de Deus. Não existe vida comunitária se não existirem corações orantes, se não existirem homens e mulheres de vida de oração. Podemos buscar os subsídios para falar de oração na própria vida de Jesus.

Jesus continuamente tirava largos tempos da sua vida para estar diante do Pai, para escutar a vontade do Pai, para estar na companhia do Pai. Quando examinamos o Evangelho e, principalmente, o Evangelho de São Lucas, nós vamos ver uma inversão da imagem que geralmente nós temos de Jesus. A imagem que geralmente nós temos de Jesus é como aquele que age, que faz. Porém, no Evangelho de Lucas nós vamos ver que Jesus continuamente está buscando o Pai em oração, e continuamente está mergulhado na oração é que realiza a vontade do Pai, e faz muitas coisas. Jesus ora, e por isso, faz. Ele busca continuamente a vontade do Pai em oração, e por isto põe em prática a vontade do Pai.

Quando fazemos uma leitura atenta do Evangelho, percebemos mais um Jesus contemplativo, um Jesus orante, que justamente porque contemplava e orava realizava a vontade do Pai e fazia muitas coisas, do que um Jesus que fazia muitas coisas e também rezava.

Se nós formos fazer uma leitura atenta do Evangelho, vamos ver que Jesus dava primazia à oração. Grande parte do seu tempo, era dedicado ao encontro com o Pai e, por causa disso, transbordava a sua vida, e que porque orava, fazia muitas coisas e realizava a vontade do Pai no meio dos homens e no mundo. Devemos aprender com Jesus a ser homens e mulheres orantes, e aprender a rezar com Jesus.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O Chamado

“Depois subiu ao monte e chamou os que ele quis. E foram ter com ele. Designou doze dentre eles para ficar em sua companhia. Ele os enviou a pregar, com o poder de expulsar os demônios” (Mc 3,13-15).

Ao falarmos de vocação, é importante sabermos que toda vocação é uma eleição, uma escolha, um chamado de Deus. Jesus primeiro chamou aqueles que ele quis para estarem com Ele, depois os enviou em missão. Estar com o Senhor e ser enviado em missão não são duas coisas excludentes, e Jesus chamou a si os seus apóstolos para que aprendessem a estar com Ele de tal modo que partindo em missão, permanecessem com Ele e Nele.

Não existe um modo específico, estático, de como acontece o chamado, porque Ele é livre e criativo, e nos faz ouvir a Sua voz não apenas de modo subjetivo, como também de forma objetiva. Muitas vezes a voz de Deus estenderá suas raízes já na primeira infância, despertando o eleito do sono, como aconteceu com o profeta Samuel ou dando-lhe a clara consciência da sua total pertença a Deus, mesmo sem o saber.

É importante sabermos que um elemento essencial para que a pessoa eleita possa responder o chamado de Deus é a escuta da Sua voz. Parece óbvio, não é? Mas é importante conhecer bem a voz do Senhor para não confundi-La com outras vozes que clamam dentro e fora de nós. Para desenvolver a sensibilidade à voz de Deus devemos cultivar o desejo de Deus por meio de uma vida segundo os valores do Evangelho.

Quando Jesus chamou os seus apóstolos, Ele entrou no ambiente deles (cf. Mt 4,18-22; 9,9s) e eles não poderiam responder ao chamado se não cultivassem dentro de si o desejo de Deus. Se seus corações estivessem ancorados nos bens terrenos, nas pessoas ou em si mesmos, dificilmente reconheceriam a voz do Senhor e permaneceriam com seus corações insaciados, porque somente no acolhimento da vontade de Deus encontramos a felicidade plena.

A Amizade de Deus.

Nosso Senhor, o Verbo de Deus, que primeiro atraiu os homens para serem servos de Deus, liberou em seguida os que lhe estavam submissos, como ele próprio disse a seus discípulos: Já não vos chamo servo, pois o servo não sabe o que faz o seu senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo que ouvi de meu Pai (Jo 15,15). A amizade de Deus concede a imortalidade aos que a obtêm.

No princípio, Deus formou Adão, não porque tivesse necessidade do homem, mas para ter alguém que pudesse receber o benefício. De fato, não só antes de Adão, mas antes da criação, o Verbo glorificava seu Pai, permanecendo nele, e era também glorificado pelo Pai, como ele mesmo declara: Pai, glorifica-me com a glória que ou tinha junto de ti antes que o mundo existisse (Jo 17,5).

Não foi também por necessidade do nosso serviço que Deus nos mandou segui-lo, mas para dar-nos a salvação. Pois seguir o Salvador é participar da salvação, e seguir a luz á receber a luz.

Quando os homens estão na luz, não são eles que a iluminam, mas são iluminados e tornam-se resplandecentes por ela. Nada lhe proporcionam, mas dela recebem o benefício e a iluminação.

Do mesmo modo, o serviço que prestamos a Deus nada acrescenta a Deus, porque ele não precisa do serviço dos homens. Mas aos que o seguem e servem, Deus concede a vida, a incorruptibilidade e a glória eterna. Ele dá seus benefícios aos que o servem precisamente porque o servem e aos que o seguem precisamente porque o seguem; mas não recebe deles nenhum benefício, porque é rico, perfeito e de nada precisa.

Se Deus requer o serviço dos homens é porque, sendo bom e misericordioso, deseja conceder os seus dons aos que perseveram no seu serviço. Com efeito, Deus de nada precisa, mas o homem é que precisa da comunhão com Deus.

É esta, pois, a glória do homem: perseverar e permanecer no serviço de Deus. Por esse motivo dizia o Senhor a seus discípulos: Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi (Jo 15,166), dando assim a entender que não eram eles que o glorificavam seguindo-o, mas, por terem seguido o Filho de Deus, eram por ele glorificado. E disse ainda: Quero que estejam comigo onde eu estiver, para que eles contemplem a minha glória (Jo 17,24).

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Será que Deus Ve Tudo ?




Como será que Deus vê todas as coisas?
O que Ele sente ou pensa quando vê tudo aquilo que para mim é tão comum no meu dia-a-dia?
Como será que Ele vê as pessoas com quem convivo ou me encontro; os objetos e coisas que utilizo;
meu jeito de falar e agir; minhas decisões...
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A contemplação é um dom do Espírito.
Muitos imaginam que contemplar é ver. Mas é muito mais do que ver.
Tem um sentido tão profundo, que nossas palavras não alcançam uma definição.
Talvez um monge pudesse nos explicar como vivencia essa graça...
Ao menos podemos dizer que contemplar é ver com os olhos de Deus.

UM CASO DE CONTEMPLAÇÃO:
Quando olhamos uma paisagem bonita, logo já surge uma admiração.
E isso nos toma de tal forma que nos vem a vontade de agradecer Àquele que tudo fez.
Começamos então a dizer palavras que vão nos enchendo de alegria.
E se seguimos nos aprofundando ainda mais nesse momento, já não prestamos mais atenção na paisagem... É como se não sentíssemos mais o que nos rodeia.
Inicia-se então o que chamamos de encontro pessoal com o Senhor.
E ao entrar ainda mais na presença Deleé como se não pudéssemos enxergar mais nada...
Já não vejo, mas Ele me vê, me sonda e perscruta meu coração.

OUTRO CASO DE CONTEMPLAÇÃO:
Por outro lado conheço pessoas que tem esse dom tão aflorado, que conseguem perceber e entender coisas aparentemente escondidas ao seu redor.
Como por exemplo o Pe. Jonas Abib...
Às vezes sem se preparar para pregar, ele após ter lido o trecho bíblico, entra na Palavra de Deus de tal forma que encontra coisas que a gente nem imaginava que estariam ali...
Na realidade o padre contemplou; viu além das palavras que estavam escritas.

Se contemplarmos tudo ao nosso redor e conseguirmos verdadeiramente com os olhos de Deus tudo será diferente, pois certamente vamos entender o por quê de muitas coisas; enxergaremos os outros com novos olhos; perceberemos enfim que somos iguais, que somos irmãos de uma mesma casa...

Deus nos dá essa graça!
É dom do Espírito Santo e é para todos!

Peçamos juntos:

"Divino Jesus, que não nos deste o Espírito Santo pela metade, permite que olhemos todos as coisas com amor, com teu sentimento...
Dá-nos o dom de contemplar o teu projeto para nossas vidas.
Amém."

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Artista da Semana - Banda Canal da Graça


Desejo de felicidade e uma sensação de liberdade à flor da pele, algo
como se estivesse solto no ar, alçando vôo rumo ao coração de Deus.
Esse é o clima do CD Tocando o Céu, novo trabalho da banda Canal da
Graça, lançado pela CODIMUC.
Criada em 1996, em Araraquara (SP), a banda Canal da Graça chega ao
seu segundo trabalho e assume como carisma “adorar o Senhor na
alegria da sua misericórdia”.
O disco traz 12 faixas no melhor estilo pop
vocal. Entre os destaques estão as faixas Sonho de Deus (Alex Olliveira),
que expressa o desejo de voar para os braços do Senhor; Nasci pra ser
feliz (Alex Olliveira), que convida as pessoas viverem a alegria; Anjo
Guardião (Alex Olliveira), que, com uma melodia cativante, fala da
realidade dos anjos da guarda.

Para saber mais da banda Canal da Graça, acesse:
www.canaldagraca.com

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

MÚSICO: DEIXE-SE CONHECER POR DEUS



Parece meio estranho uma afirmação como esta: deixe-se conhecer por DEUS. Como se DEUS, que sabe de tudo, de todas as coisas do ontem, do hoje e do amanhã não te conhecesse.

Então ELE Não sabe da nossa vida? Claro que SIM. Mas DEUS preza demais a nossa LIBERDADE. DEUS jamais fere a liberdade que ele mesmo nos DEU. Seu amor é tão completo que quando nos ama, nos deixa escolher o caminho a ser seguido. É você quem escolhe o caminho a ser trilhado em sua vida. Suas escolhas dependem de VOCÊ. É ELE Quem dá o talento, por exemplo, mas é VOCÊ quem decide o que fazer com ele. DEUS Só interfere quando você deixa.

Então DEUS nos deixará SOFRER? É incrível, mas tenho que afirmar que SIM, se esta for a sua escolha. Para que DEUS nos conheça a fundo, penetre no mais íntimo do nosso ser, precisamos dizer SIM, SENHOR, PENETRE O MAIS PROFUNDO DA MINHA VIDA.

Ah, irmã(o), DEUS fica de olho pronto para nos conhecer, sua criatura. Não um conhecer humano, mas o conhecimento da autoridade de ser curado. O que é isso: o conhecer de DEUS é diferente do nosso, no caso é como se você disesse CATEGORICAMENTE para DEUS que você O DEIXA te tocar, te curar, te sarar.

O que isso tem haver com o MÚSICO? Muitas, muitas coisas... Até pelos nossos sentimentos de artistas que se afloram na nossas Artes musicais estamos muitos abertos a ações demônicas que são próprias de emoções Afloradas. Vou tentar explicar melhor: nossa sensibilidade é maior por sermos artistas e temos emoções que trabalhamos em nossas canções. Nós as vivenciamos em Nosso dia-a-dia. Muitas vezes não conseguimos equilibrá-las. É impossível você ver um poeta que trabalhas as emoções através das palavras que não tenha estas emoções fortes em Sua vida, nós também temos estas emoções que trabalhamos em nossas canções, portanto as vivenciamos em nossas vidas também.

DEUS precisa ser o Senhor de nossas emoções, ter o inteiro controle para que o inimigo, que conhece bem os músicos, não faça proveito para destruir nossa missão de construir o reino de DEUS aqui na terra por causa de nossas fraquezas.

Para que DEUS controle, você precisa se deixar CONHECER pelo Senhor. Não tenha medo! Confie no Senhor e ele tudo fará em sua vida e no seu MINISTÉRIO.



Vosso servo,

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

PREPARADOS PARA A TENTAÇÃO?




Sábio pensamento, este de Santo Agostinho. E é com ele que damos uma nova roupagem, um novo foco, pois o Espírito Santo sempre tem algo inédito a nos revelar.

Podemos partilhar um pouco neste mês sobre a realidade em que se encontram nossos ministros de músicas nos dias de hoje. E devemos nos questionar:

No que consiste o nosso canto?

Sempre digo que o ministro de música vive como em uma corda bamba, a todo o momento buscando se manter firme na meta de não cair, ou seja, de não se deixar levar pelas vaidades. É uma luta constante que só terminará no céu. Aleluia!

Infelizmente, parece que se perdeu a essência do servir. Nos deixamos levar pela rotina e colocamos de lado a espiritualidade, para cumprir “obrigações” de estar sempre no mesmo lugar, fazendo as mesmas coisas.

Isso precisa mudar, pois antes de FAZER, nós SOMOS, antes de desempenharmos um ministério, tivemos uma experiência pessoal com o Amor de Deus. Ele nos chamou, nos confiou um ministério que é nossa rede para pescar almas, como nos diz o Senhor :

“Vinde após mim e vos farei pescadores de homens.” (Mt. 4, 19).

Mas, é imprescindível para uma boa pescaria que as redes estejam fortes e sem danos. Por isso o Senhor nos convida a ir além, a dar um passo a mais. O de realmente nos decidir a viver o que cantamos, o que pregamos, em atos concretos. Nós não podemos estar dependentes do microfone ou de um instrumento para evangelizarmos, ou seja, necessitamos viver a autenticidade do Evangelho que consiste unicamente em amor, em amar. É o amor que marca cada parágrafo da Boa Nova, cada milagre de Jesus, todo o seu ministério e especialmente Sua morte de Cruz. Como nos ensina Santa Terezinha:

“O Amor é o ponto de partida para tudo!”.

O Amor tem que ser o ponto de partida do nosso servir, só assim ele será eficaz. Do contrário, é somente vazio, aparências, não tem alicerce, não finca raízes.

Precisamos entoar com nossas vozes o amor perfeito de Jesus, cantar o mais alto que pudermos que é esse amor louco, cravado num madeiro que cura e que salva, independente de quem canta ou de quem toca, pois o Amor de Deus não se condiciona a essas pequenas coisas, ele é muito maior. O Amor pode transformar tudo!

Temos que assumir de uma vez por todas nossos lugares de servos, nos colocarmos no último lugar e na humildade nos reconhecermos pequenos e dependentes da graça de Deus, buscando a santidade e nos tornando homens e mulheres orantes. Assim como nos afirma o CIC no nº. 2559:

“A humildade é o fundamento da oração. A humildade é a disposição para receber gratuitamente o dom da oração; o homem é um mendigo de Deus”.

Quando olharmos a nossa volta e começarmos a enxergar o sofrimento do próximo, indo ao seu encontro e direcionarmos o nosso servir neste intuito, tudo terá mais sentido e o primeiro passo será dado rumo à santidade, a vida eterna que compensará todos os sofrimentos desta terra.

Sigamos o exemplo de nossa querida Santa Terezinha do Menino Jesus:

“A santidade não está em tal ou tal prática; consiste numa disposição do coração que nos torna humildes e pequenos nos braços de Deus, conscientes de nossa fraqueza e confiantes até audácia em sua bondade de Pai”.

E que esse possa ser o nosso único desejo, sermos verdadeiros mendigos de Deus, que nada tem, nada são, senão no Senhor, que nos envolve em sua infinita misericórdia. Simples servos que somente almejam agradar o seu Senhor e fazer com que ele seja amado por todos, fazendo de nossas vidas o mais bonito e agradável louvor.

Que o nosso canto seja renovado para que junto com Jesus nossas vidas renasçam para o novo de Deus. Um abraço fraterno!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Arte... Deus quis compartilhar

Alguns dizem que arte não se define, mas se exprime, o mistério da arte é belíssimo, pois todos a veem, tocam, sentem, mas de formas diferentes. Dizem os estudiosos que a forma de ver e sentir a arte depende da cultura, do costume, da linguagem e vida de quem a aprecia. Como definir algo tão grande e misterioso como a arte?

Aí está o mistério da arte: se todos vissem e sentissem da mesma maneira, não teria mistério, não teria graça em contemplarmos uma arte, fosse ela qual fosse.
Somente Deus pode criar do nada, e tudo Ele criou, porém, quis partilhar com o homem a centelha da sua arte mais bela - a própria criação. Nem todos somos artistas, mas todos podemos desenvolver em nós a sensibilidade artística. Somente com alguns, Deus partilha a centelha de fazer arte, criar a partir de algo.

A arte é expressão e, no decorrer dos tempos, o homem, para exprimir suas idéias, foi se utilizando de tudo que era possível. Alguns dizem que o artista exprime, em sua arte, um mundo paralelo onde tudo está no seu interior – experiências já vividas, sonhos, desejos e anseios - ele cria um mundo ideal, ou aquilo que pensa que o mundo é. O mistério é que nem todos irão ver e sentir, e nem sequer descobrir o que o artista quis expressar naquela peça artística, seja uma tela, um desenho, poesia, escultura, teatro, música.

A arte é bela ou feia? Essa é uma grande pergunta, e muito difícil de responder, pois o que é feio para alguns é belo para outros, na verdade gosto não se discute. A maior verdade em tudo isso é que quando se desenvolve em si a sensibilidade artística, por mais feia que possa parecer uma peça artística, não vai soar como feia, mas como algo significativo. Tudo passa a ter sentido.

A arte é expressão de alguém que é diferente dos demais, por isso ela tende a expressar o diferente - às vezes, uma forma de ver o mundo, de um ângulo jamais pensado pelos demais. A arte é uma luz que ilumina a escuridão e os passos daqueles que buscam um sentido, ou respostas para seus questionamentos interiores.

Arte é isso, às vezes respostas, outras vezes questionamentos, às vezes paz, outras vezes conflitos. A arte nunca deixará de existir.

Marcos Roberto
Com. Recado

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Pai, o pastor da família.

Que beleza a Palavra de Jesus, quando Ele olha para a multidão e percebe que ela precisa ser cuidada. O Senhor faz uma associação direta com uma multidão sem pastor. Pastor é aquele que cuida não com olhos desconfiados de vigilância, mas com olhar zeloso. Pastor é aquele que está à frente de um determinado rebanho.
O padre é o pastor de sua paróquia, assim como o bispo é pastor de sua diocese e o Papa o é da Igreja. A minha palavra de pastor é para convidar você para ser pastor também. Os padres não são os únicos responsáveis pelo pastoreio das ovelhas; você também é responsável pelas ovelhas na sua casa.

O bom pai e a boa mãe ensinam a criança a comer direito desde pequeno. O pastoreio das famílias começa em casa, mas não adianta os pais estarem somente dentro de casa, é preciso que eles exerçam a autoridade. Você não pode ser uma mãe decorativa, pois a família precisa de alguém com as rédeas na mão. Você pai, não pode ser um “repolho” dentro de casa, dizendo ao seu filho que procure a mãe todas as vezes que ele vai até você.

Para uma criança chegar à autonomia, ela precisa de adultos lhe dando as rédeas. Não há nada pior nesta vida do que você se sentir sozinho. Não me refiro à solidão do corpo, pois esta desaparece quando se chega perto de alguém, mas à pior solidão, que é quando você não tem ninguém para falar o que sente e pensa. Você tem que pastorear sua esposa e seu esposo todos os dias. Não é vigiar, é amar.

Muitas mulheres casadas sentem-se solteiras há muito tempo, pois não têm com quem dividir pensamentos e sentimentos. No início, tudo é tão lindo, o primeiro filho, o pai quer dar banho, ama com todas as forças, mas depois não suporta as mínimas coisas. Existem tantos pais que amam somente os filhos na infância, mas depois se cansam deles. Nós não podemos nos cansar do pastoreio.
O pastor que vai ficando indiferente aos poucos vai perdendo a confiança.
O pastor não pode ser indiferente ao rebanho que tem. Às vezes fazemos de tudo para chamar a atenção do outro, mas não conseguimos; então, vamos ficando agressivos. Quantas vezes a agressividade do filho é um pedido de socorro: “Pai, seja meu pastor"”.

Você pode ser engenheiro, médico, administrador, empresário, mas o principal ofício que você tem é o de ser pai, é ser pastor de sua casa. Muitas vezes, jogamos o pastoreio de nossa casa para que outros o façam. Um exemplo são as crianças que têm aulas das 7h da manhã até às 22h da noite. E que horas você dá a sua aula? Quem precisa mandar na sua casa é você. Seja pai, pelo amor de Deus! Mergulhe na sabedoria, porque comandar a casa com burrice é a pior coisa que existe.

Prepare-se para essa paternidade, seja um homem de oração. Quando Deus entra na nossa vida, fica mais fácil viver. Pai e mãe que rezam educam muito melhor do que quando um dos dois não reza. Para que você seja um bom pastor na sua casa, reze.

Todas as naçoes se reuirão diante Dele

Ezequiel 34, 11-12.15-17; 1 Coríntios 15, 20-26a.28; Mateus 25, 31-46

Neste Evangelho nos faz assistir ao ato conclusivo da história humana: o juízo universal: «Quando o Filho do Homem voltar na sua glória e todos os anjos com ele, sentar-se-á no seu trono glorioso. Todas as nações se reunirão diante dele e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda».

A primeira mensagem contida neste evangelho não é a forma ou o resultado do juízo, mas o fato de que haverá um juízo, que o mundo não vem do acaso e não acabará por acaso. Começou com uma palavra: «Faça-se a luz... Façamos o homem» e terminará com uma palavra: «Vinde, benditos... Afastai-vos de mim, malditos». Em seu princípio e em seu final está a decisão de uma mente inteligente e de uma vontade soberana.

Este começo de milênio se caracteriza por uma intensa discussão sobre criacionismo e evolucionismo. Reduzida ao essencial, a disputa opõe quem, aludindo – nem sempre com razão – a Darwin, crê que o mundo é fruto de uma evolução cega, dominada pela seleção das espécies, e aqueles que, ainda admitindo uma evolução, vêem a obra de Deus no mesmo processo evolutivo.

Há alguns dias, aconteceu no Vaticano uma sessão plenária da Academia Pontifícia das Ciências, com o tema «Olhares científicos em torno da evolução do universo e da vida», com a participação dos mais importantes cientistas do mundo inteiro, crentes e não-crentes, muitos deles prêmios Nobel. No programa sobre o evangelho que apresento em RaiUno, entrevistei um dos cientistas presentes, o professor Francis Collins, chefe do grupo de pesquisa que levou ao descobrimento do genoma humano. Perguntei-lhe: «Se a evolução é certa, ainda resta espaço para Deus?». Eis aqui sua resposta:

«Darwin tinha razão em formular sua teoria segundo a qual descendemos de um antepassado comum e houve mudanças graduais no transcurso de longos períodos, mas este é o aspecto mecânico de como a vida chegou ao ponto de formar este fantástico panorama de diversidade. Não responde à pergunta sobre por que existe a vida. Há aspectos da humanidade que não são facilmente explicáveis, como nosso senso moral, o conhecimento do bem e do mal, que às vezes nos induz a realizar sacrifícios que não estão ditados pelas leis da evolução, que nos sugerem preservar-nos a toda custa. Esta não é talvez uma prova que nos indica que Deus existe?»

Perguntei também ao professor Collins se antes ele havia acreditado em Deus ou em Jesus Cristo. Respondeu-me: «Até os 25 anos fui ateu, não tinha uma preparação religiosa, era um cientista que reduzia quase tudo a equações e leis da física. Mas como médico, comecei a observar as pessoas que tinham de enfrentar o problema da vida e da morte, e isso me fez pensar que meu ateísmo não era uma idéia enraizada. Comecei a ler textos sobre as argumentações racionais da fé que não conhecia. Em primeiro lugar, cheguei à convicção de que deve existir um Deus que criou tudo isso, mas não sabia como era este Deus. Isso me moveu a levar a cabo uma busca para descobrir qual era a natureza de Deus, e a encontrei na Bíblia e na pessoa de Jesus. Após dois anos de busca, me dei conta de que não era inteligente opor resistência e me converti em um seguidor de Jesus».

Um grande autor do evolucionismo ateu de nossos dias é o inglês Richard Dawkins, autor do livro «God Delusion», A desilusão de Deus. Ele está promovendo uma campanha publicitária que propõe colocar nos ônibus das cidades inglesas esta inscrição: «Deus provavelmente não existe: deixe de angustiar-se e curta a vida» («There's probably no God. Now stop worrying and enjoy life»). «Provavelmente»: portanto, não se exclui totalmente que possa existir! Mas se Deus não existe, o crente não perdeu quase nada; se, ao contrário, Ele existe, o não-crente perdeu tudo.

Eu me coloco no lugar do pai que tem um filho deficiente, autista ou gravemente enfermo, de um imigrante que foge da fome ou dos horrores da guerra, de um operário que ficou sem trabalho, ou de um camponês expulso de sua terra... Pergunto-me como ele reagiria a esse anúncio: «Deus não existe: deixe de angustiar-se e curta a vida».
A existência do mal e da injustiça no mundo é certamente um mistério e um escândalo, mas sem fé em um juízo final, seria infinitamente mais absurda e trágica. Em tantos milênios de vida sobre a terra, o homem se adaptou a tudo; adaptou-se a todos os climas, imunizou-se contra toda doença. Mas a uma coisa ele não se adaptou nunca: à injustiça. Continua sentindo-a como intolerável. E a esta sede de justiça responderá o juízo universal.

Este não será só querido por Deus, mas, paradoxalmente, também pelos homens, também pelos ímpios. «No dia do juízo universal, não será só o Juiz o que descerá do céu – escreveu o poeta Claudel –, mas toda a terra se precipitará ao seu encontro.»

A festa de Cristo Rei, com o evangelho do juízo final, responde a mais universal das esperanças humanas. Assegura-nos que a injustiça e o mal não terão a última palavra, e ao mesmo tempo não exorta a viver de forma que o juízo não seja para nós de condenação, mas de salvação, e possamos ser daqueles a quem Cristo dirá: «Vinde, benditos de meu Pai, entrai em posse do reino preparado para vós desde a fundação do mundo».

por Frei Raniero Cantalamessa, Pregador do Vaticano *

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O mundo do jovem

Atualmente, os jovens de uma forma geral conhecem a Internet; sabem as músicas da parada de sucesso; as gírias do momento; as roupas que estão na moda; os artistas que estão em alta; e alguns poucos, ainda sabem acerca de cultura, política; dentre outros assuntos que permeiam as notícias mais em voga. Isso reflete a era da tecnologia, da modernidade, da rapidez, da competitividade; aspectos tão presentes no nosso cotidiano e que nos ordenam cada vez mais conhecimento atualizado e nos implicam em uma rotina de inúmeras exigências para sermos pessoas “ideais”; mas ideais segundo quem?
Infelizmente muitos jovens não sabem nem porque se submetem a certos imperativos do mercado; sejam no nível de atitudes ou de aquisição de bens de consumo; e o pior, não sabem nem distinguir suas verdadeiras preferências pessoais e se pedirmos para falarem de si ou dizerem quem são, não sabem responder ou dão respostas vazias. Os jovens se encontram tão imbuídos na realidade imposta; quer seja pela mídia, moda, sociedade capitalista; que lhes escapam o limiar entre o que originariamente são, acreditam e gostam; do que lhes é apresentado como bom, agradável, correto, e etc.
Ou seja, conhecem o mundo de fora, mas sabem muito pouco de si, não conhecem o mundo de dentro. É comum entre os jovens a dificuldade de expressão dos seus sentimentos, de dizerem o que se passa dentro deles. O dia ‘corre’ muito rápido, são muitos afazeres: escola, faculdade, família, reuniões, academia, televisão, computador; tudo isso faz com que não se tenha oportunidade para parar e encontrar as verdades existentes dentro de si; e a vida superficial é o caminho trilhado constantemente, o qual traduz uma resposta de uma vivência inautêntica. O reflexo disso são as pesquisas que demonstram a grande eclosão de casos de depressão, anorexia, bulimia, fobia, dentre outras patologias que acometem numerosa parcela da população mundial, inclusive entre os jovens.
As pessoas não “gastam” mais tempo com os outros, porque consideram ‘perca de tempo’. As relações interpessoais são hoje, na sua maioria, vazias e artificiais. Perde-se muito ao não conviver com as pessoas, e assim, poder revelar o grande mistério que é a vida do outro e a sua própria vida, que se expressa e se diz nos relacionamentos onde há caridade e doação de si, algumas dentre as características de uma amizade verdadeira. Considerando, que me conheço mais e contemplo a Deus no outro.
O desejo de Deus está inscrito no coração do homem, já que o homem é criado por Deus e para Deus; e Deus não cessa de atrair o homem a si, e somente em Deus o homem há de encontrar a verdade e a felicidade que não cessa de procurar. (Catecismo da Igreja Católica, 27).
Encontrar o mundo de dentro é encontrar o tesouro inesgotável da presença de Deus, daquele que pode saciar nossa sede de amor, e nos restituir a verdade de quem nós somos. O que nos torna pessoas autênticas e livres para testemunhar, em um mundo marcado pelo pecado, com a ousadia própria dos ungidos pelo Espírito Santo.
O fato de ser de Deus não castra nossa juventude, nem nos exime de desfrutarmos da beleza contida na obras da criação divina, pelo contrário, nos lança nos relacionamentos saudáveis, em uma vivência legítima. Ser um jovem de Deus é poder viver com intensidade, sendo livre verdadeiramente, podendo optar pelo bem e não se deixar escravizar pelo pecado, pelas paixões desordenadas e nem pelo simples prazer momentâneo, tão característico do pecado. Um jovem cristão vive livremente olhando para a eternidade, para o que não passa, espelhando-se no mistério do Relacionamento Trinitário.
Só Deus não muda, e é esse amor que nos motiva a dizermos não as ocasiões de pecado; é esse amor que nos faz levantar sempre; que nos leva a testemunhar concretamente a benevolência divina; que não nos faz desistir quando nos deparamos com nossas próprias fraquezas, que tantas vezes paralisam a nossa evangelização, a evangelização maior que manifesta-se através da nossa fidelidade a Deus.
Quando tivermos a coragem de encontrar Aquele que habita em nós e a humildade de sempre buscá-lO na oração, muitos O encontrarão na nossa maneira de ser. Já diz o salmo bíblico: Alegre-se o coração dos que buscam o Senhor. (Sl 5, 3).
Se o homem pode esquecer ou rejeitar a Deus, este de sua parte, não cessa de chamar todo homem a procurá-lo, para que viva e encontre a felicidade. Mas esta busca exige do homem todo o esforço de sua inteligência, a retidão de sua vontade, um coração reto e também o testemunho dos outros, que o ensinam a procurar a Deus.

sábado, 24 de julho de 2010

Capacitados para servir

Pentecostes é uma graça constitutiva - “que faz parte” - do grande mistério pascal, pelo qual o Filho - o Verbo de Deus encarnado - obteve para nós a remissão de nossas faltas e a garantia de participação na vida eterna, na comunhão com a Trindade Santa, Deus tem um propósito especial e muito definido ao nos dar o seu Espírito Santo: tornar possível a continuidade da graça da salvação para todas as gerações que se sucedem à morte e ressurreição de Cristo (cf. DIM, 1; DeV, 22 e 67). “ Recebereis o poder do Espírito Santo e então sereis minhas testemunhas [...] até os confins do mundo”, nos esclarecia Jesus (cf. At 1,8). “Assim como o Pai me enviou, assim estou enviando vocês [...]: recebam (para isso) o Espírito Santo! E o que vocês perdoarem, estará perdoado (cf. Jo 20, 21-23). O Espírito, pois, nos é dado não apenas como “penhor da nossa herança” eterna (cf. Ef 1 13-14; Gl 4, 6-7, Ti 3, 5-7), mas também para que posamos testemunhar a respeito da obra de Jesus (cf. Jo 15,26-27). “... é missão do Espírito Santo também o transformar discípulos em testemunhas de Cristo” conforme nos recorda João Paulo II, em sua Encíclica Catechese Tradendae, n. 72.
O Catecismo da Igreja católica (n.683) nos diz que “sem o Espírito não é possível ver o Filho de Deus, e sem o Filho, ninguém pode aproximar-se do Pai, pois o conhecimento do Pai é o Filho, e o conhecimento do Filho de Deus se faz pelo Espírito Santo.” E Paulo VI, em sua Encíclica Evangelli Nuntiandi, n.75, nos ensina que “nunca será possível haver evangelização sem a ação do Espírito Santo [...] Ele é aquele que, hoje ainda, como nos inícios da Igreja, age em cada um dos evangelizadores que se deixa possuir e conduzir por ele, e põe na sua boca as palavras que ele sozinho não poderia encontrar, ao mesmo tempo que predispõe a alma daqueles que escutam, a fim de a tornar aberta e acolhedora para a Boa Nova e para o reino anunciado. As técnicas da evangelização são boas, obviamente; mas ainda as mais aperfeiçoadas não poderiam substituir a ação discreta do Espírito Santo. A preparação mais apurada do evangelizador nada faz sem ele.
De igual modo, a dialética mais convincente, sem ele, permanece impotente em relação ao espírito dos homens. E, ainda, os mais bem elaborados esquemas com base sociológica e psicológica, sem Ele, em breve se demonstram desprovidos de valor.” Ou seja, é possível ter-se uma abundância de programas, de planejamentos, de projetos, e até de boas intenções, mas se não levarmos em conta, de modo efetivo e experiencial (e não apenas com retórica sociológica e teológica) a participação livre e soberana do operar do Espírito, podemos fazer muito barulho e colher poucos resultados em nosso trabalho de evangelização. Quem não leva à missão os recursos do poder do Espírito, dá de si mesmo; e o que nós temos a oferecer é sempre pouco para tocar o coração dos homens - uma vez que a mensagem cristã contém elementos que vão além da simples capacidade de compreensão intelectual, racional, dos seres humanos.
Desde os primórdios da evangelização, Paulo ressaltava: “O nosso Evangelho vos foi pregado não somente por palavra, mas também com poder, com o Espírito Santo e com plena convicção. Sabeis o que temos sido entre vós para a vossa salvação” (1 Tes 1, 5). E mais: “Também eu, quando fui ter convosco, irmãos, não fui com o prestígio da eloqüência nem da sabedoria anunciar-vos o testemunho de Deus. Julguei não dever saber coisa alguma entre vós, senão Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado. Eu me apresentei em vosso meio num estado de fraqueza, de desassossego e de temor. A minha palavra e a minha pregação longe estavam da eloqüência persuasiva da sabedoria; eram, antes, uma demonstração do Espírito e do poder divino, para que vossa fé não se baseasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus” (1 Cor 2,1-5) O Concílio Vaticano II, em seu documento sobre o apostolado dos leigos (Decreto Apostolican Actuositatem, n. 3), advertia: “Impõe-se pois a todos o dever luminoso de colaborar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e acolhida por todos os homens em toda a parte.
Para exercerem tal apostolado , o Espírito Santo - que opera a santificação do povo de Deus por meio do ministério e dos sacramentos - confere ainda dons peculiares aos fiéis (cf. 1Cor 12,7), “distribuindo-os a todos, um por um, conforme quer” (1 Cor 12, 11), de maneira que “cada qual, segundo a graça que recebeu, também a ponha a serviço de outrem” e sejam eles próprios “como bons dispensadores da graça multiforme de Deus” (1 Pd 4, 10), “para a edificação de todo o corpo na caridade” (cf. Ef 4,16).
A obra da Salvação é uma obra de Deus. E para realizar e cooperar com a obra de Deus, precisamos do poder de Deus, conforme nos foi prometido e dado (At 1,8). Assim como é louvável buscarmos o mais frequentemente possível a comunhão com o Senhor na Eucaristia, de igual modo é salutar pedirmos ao Senhor que nos batize, que nos sature constantemente com seu Espírito, capacitando-nos adequadamente para a missão. Abrir-se, pois, ao Espírito Santo e aos seus dons e carismas é a forma concreta de nos deixarmos interpelar por Sua Palavra e respondermos com fé e generosidade ao chamado que Deus, privilegiadamente, nos fez em Jesus Cristo , pelo Espírito! Amém!

BESERRA DOS REIS, Reinaldo.Celebrando Pentecostes: fundamentação e novena. Editora RCC BRASIL. Porto Alegre-RS)

Experimente silenciar

Olá, galera! Paz e bem! Um dos grandes erros que cometemos, nos dias de hoje, no que diz respeito ao seguimento de Cristo e até mesmo ao exercício de alguma função é o não saber silenciar.
Você já parou para pensar como facilmente perdemos a concentração? Qualquer barulho, por mais simples que seja, nos tira o foco, chama a nossa atenção e nos desvia do objetivo.
Já não bastasse essa tendência natural, o mundo também tem nos estimulado nisso, pois tudo é muito “barulhento”: as músicas, os carros, a rua. Não “escutamos o silêncio”, não ouvimos a voz da natureza, não ouvimos nem mesmo o irmão que está ao nosso lado, que mora conosco, que trabalha no mesmo departamento, e ainda mais: não ouvimos a voz de Deus, que fala no silêncio. Já percebeu que quando chegamos em casa a primeira coisa que fazemos é ligar o televisor ou o aparelho de som?
Se não soubermos silenciar, não escutaremos a voz de Deus, não escutaremos o irmão, não escutaremos nem mesmo a nossa consciência, e é nesse ponto que o erro acontece, erro que pode modificar uma vida inteira.
Ah, como seria bom se aprendêssemos a silenciar, como fazem os monges, os eremitas, os santos, os estudiosos, os místicos! Homens e mulheres que se refugiam em locais especiais, que de especial estes têm o silêncio, a natureza, a solidão. E quando não há ninguém por perto encontramos a Deus, encontramos a nós mesmos, encontramos a todos.
O silêncio é a primeira canção que o ministro de música precisa ouvir. Saber conviver com a solidão é sinal de maturidade espiritual.
A princípio não é fácil lidar com o silêncio, temos dificuldades. Mas isso é de se esperar, pois não estamos acostumados. No entanto, com disciplina e perseverança, tornamos o que não é natural em algo espontâneo.

Experimente silenciar. Deus abençoe.
"Tamu junto"!
Emanuel Stênio
Missionário e músico da Canção Nova

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Está chegando a hora da miserícórdia na sua vida!



 
´´Fui me recordando de todos os momentos difíceis que eu e minha família passamos, de todas as vezes que fui livrada da morte, mas também das minhas quedas, dos meus pecados e tantos e tantos momentos que eu preciso reconhecer: Só mesmo a Divina Misericórdia para ter me ajudado a chegar até aqui.
A Misericórdia chegou na minha vida quando tinha 16 anos, no auge da revolta, rebeldia, drogadição e bebedeiras. Meus pais não sabiam mais o que fazer comigo, mas foi justamente nesta época que minha mãe encontrou refúgio em Deus através de um grupo de oração e conheceu por meio da equipe de intercessão o terço da misericórdia. Eu me lembro daquela devoção… todos os dias às três horas da tarde minha mãe em seu quarto repetindo: “Pela sua dolorosa paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro…” Eu sabia que aquela oração era dedicada a mim por causa de tudo o que eu fazia porém tinha um coração muito duro e ignorava.
Jesus tem um jeito misericordioso para nos alcançar e foi o que aconteceu comigo. Num encontro de jovens me decidi: abri meu coração, me rendi, não dava mais, se eu continuasse eu iria morrer e perder minha alma, a HORA DA MISERICÓRDIA CHEGOU NA MINHA VIDA! Depois daquele dia tudo mudou…
Quem está no pecado não consegue enxergar, sentir, experimentar o amor de Deus. Com certeza você conhece pessoas, inclusive da sua casa, que se encontram com o coração fechado, duro, rebelde, cativos pelo mal, vamos mudar isso? Vamos rezar por elas? Vamos clamar a Divina Misericórdia sobre a vida delas, vamos pedir que a HORA da Misericórdia se antecipe em suas vidas?``

Eliana Ribeiro - Com. Canção Nova

sexta-feira, 9 de julho de 2010

O músico é chamado a movimentar a Igreja

Acreditamos que a palavra que transforma o coração pode produzir em cada pessoa uma melodia diferente. A intensidade da melodia é o coração que determina; o timbre é o coração que oferece. Harmonizando tudo isso, teremos uma canção de Salomão, uma canção de subida aos Céus.

Leia este pequeno fragmento do Salmo127, deixando o seu coração cantar por meio dele:

"Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a constroem. Se o Senhor não guarda a cidade, debalde vigiam as sentinelas. Inútil é levantar-vos antes da aurora, e atrasar até alta noite vosso descanso, para comer o pão de um duro trabalho, pois Deus o dá aos seus amados até durante o sono" (SI 127,1-2)

É Deus quem constrói a casa. É Ele quem edifica a Igreja, os movimentos e o seu ministério. Contudo, queremos nos deter na
ferramenta usada pelo Senhor para construir Sua obra.

No Antigo Testamento, Deus escrevia suas leis em tábuas. Porém, com a vinda do novo Adão, Nosso Senhor Jesus Cristo, o Todo-poderoso passou a escrever Suas leis em tábuas de carne, isto é, em nosso coração. A tinta usada por Ele é o Sangue de Cristo, e o pincel (ou seja, a ferramenta) é o próprio Espírito Santo. Sendo assim, podemos dizer que sem o Espírito Santo toda construção estaciona, por mais que o homem humanamente esteja correndo.

O músico é chamado a movimentar a Igreja, mas só conseguirá fazê-lo se estiver vivendo sob o movimento do dedo de Deus, ou seja, sob a ação do Espírito Santo. Deus usa o dedo do Espírito Santo para movimentar o coração do homem que, humildemente, se prostra, esperando, em primeiro lugar, amar e ser amado pelo construtor.

Tocar as notas de uma construção melódica já não é o mais importante. Nessa peça ou construção musical, o mais importante é estar com Deus, escutando o Músico dos músicos tocar, e assim, seguindo a partitura que o próprio Deus construiu, saber o momento de tocar e como tocar. Nessa obra, o essencial é silenciar o coração. É necessário muita atenção para não nos perdemos na grande partitura da vida.

Santo Agostinho nos ensina que o Espírito Santo é a "Alma da Igreja", e o que faz no corpo do homem, o Espírito Santo faz no corpo da Igreja. No Vaticano II foi salientado que o amor que se tem pela Igreja é diretamente proporcional ao amor que se tem pelo Espírito Santo, pois Ele é a alma da Igreja.

Daí, podemos explicar a negligência dos músicos para com a Igreja, isto é, esses músicos não possuem experiência com o Espírito Santo, consequentemente não amam seu ministério, através do qual participam do Corpo místico de Cristo, que é a Igreja. De fato, podemos dizer que nossa parte na construção da obra se encontra basicamente em viver sob o fogo do Espírito Santo.

O músico precisa pedir a efusão do Espírito Santo diariamente, para que o amor pela obra não se acabe. Devemos ser apaixonados pelo Espírito Santo e, consequentemente, apaixonados pela Igreja.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Voz da Igreja

O Papa Bento XVI assegurou que o século XXI "se abriu no sinal do martírio" e explicou que "quando os cristãos são verdadeiramente levedura, luz e sal da terra, tornam-se também, como Jesus, objeto de perseguição, sinal de contradição".
O Santo Padre visitou a Basílica romana de São Bartolomeu na Ilha Tiberina, com motivo do 40º aniversário da Comunidade de São Egidio, onde presidiu uma celebração da Palavra em memória das Testemunhas da Fé dos séculos XX e XXI.
Nesta entrevista assegurou que "a convivência fraternal, o amor, a fé, as tomadas de posição a favor dos mais pequeninos e pobres suscitam às vezes uma aversão violenta. Que útil é então olhar ao testemunho luminoso dos que nos precederam em nome de uma fidelidade heróica até o martírio!".
Meditando sobre o lugar, que lembra aos cristãos sacrificados pela fé, o Papa questionou: "por que estes mártires irmãos nossos não tentaram salvar a toda costa o bem insubstituível da vida? por que continuaram servindo à Igreja não obstante as graves ameaça e as intimidações?".
"Aqui sentimos ressonar o testemunho eloqüente daqueles que, não só no século XX, mas também desde os inícios da Igreja, vivendo o amor ofereceram no martírio sua vida a Cristo" e "lavaram suas túnicas branqueando-as com o sangue do Cordeiro", indicou.
Nesta última frase do Apocalipse, disse o Santo Padre, está a resposta ao porquê do martírio. A linguagem cifrada de San Juan contém "uma referência precisa à chama branca do amor que levou a Cristo a derramar seu sangue por nós. Em virtude desse sangue fomos purificados. Notando-se nessa chama, também os mártires derramaram seu sangue e se purificaram no amor".
Bento XVI recordou depois a frase de Cristo "Ninguém tem amor maior do que que dá a vida a vida pelos seus irmãos" e sublinhou que "tudas as testemunhas da fé vivem este "amor maior", conformando-se a Cristo e "aceitando o sacrifício até o final, sem colocar limites ao dom do amor e ao serviço da fé".
"Nos detendo diante dos seis altares que lembram aos cristãos cansados sob a violência totalitária do comunismo, do nazismo, aos assassinados na América, na Ásia e Oceania, na Espanha e México, na África, percorremos idealmente muitos acontecimentos dolorosos do século passado. Muitos caíram enquanto cumpriam a missão evangelizadora da Igreja; seu sangue se misturou com a dos cristãos nativos aos que tinham comunicado a fé", adicionou.
Do mesmo modo, o Santo Padre recordou que "outros, freqüentemente em condições de minoria foram assassinados por ódio à fé. E não são poucos os que se imolaram por não abandonar aos necessitados e aos fiéis que tinham sido confiados a eles sem temor a ameaças ou perigos. Estes irmãos e nossas irmãs na fé formam um grande afresco da humanidade cristã do século XX, um afresco das Bem-aventuranças, vivido até o derramamento de sangue".
"Aparentemente a violência, os totalitarismos, a perseguição, a cega brutalidade parecem mais fortes, sossegando a voz das testemunhas da fé, que aos olhos dos homens podem parecer derrotados pela história. Mas Jesus ressuscitado ilumina seu testemunho e assim compreendemos o sentido do martírio: o sangue dos mártires é semente de novos cristãos. Na derrota e na humilhação de quantos sofrem pelo Evangelho atua uma força que o mundo não conhece. É a força do amor, inerme e vitorioso, inclusive na aparente derrota. É a força que desafia e vence à morte", continuou o Papa.
O Pontífice finalizou sua homilia convidando aos membros da Comunidade de São Egidio a "imitar a coragem e a perseverança" dos mártires em "servir ao Evangelho, especialmente entre os mais pobres" e a ser "construtores de paz e de reconciliação entre os que são inimigos ou se combatem".
Fonte: Zenit.

A voz e a Palavra

João era a voz, mas o Senhor, no princípio, era a Palavra (Jo 1,1). João era a voz passageira, Cristo, a Palavra eterna desde o princípio.
Suprimi a palavra, o que se torna a voz? Esvaziada de sentido, é apenas um ruído. A voz sem palavras ressoa ao ouvido, mas não alimenta o coração.
Entretanto, mesmo quando se trata de alimentar nossos corações, vejamos a ordem das coisas. Se penso no que vou dizer, a palavra já está em meu coração. Se quero, porém, falar contigo, procuro o modo de fazer chegar ao teu coração o que já está no meu.
Procurando então como fazer chegar a ti e penetrar em teu coração o que já está no meu, recorro à voz e por ela falo contigo. O som da voz te faz entender a palavra; e quando te fez entendê-la, esse som desaparece, mas a palavra que ele te transmitiu permanece em teu coração, sem haver deixado o meu.
Não te parece que esse som, depois de haver transmitido minha palavra, está dizendo: É necessário que ele cresça e eu diminua? (Jo 3,30). A voz ressoou, cumprindo sua função, e desapareceu, como se dissesse: Esta é a minha alegria, e ela é completa (Jo 3,29). Guardemos a palavra; não percamos a palavra concebida em nosso íntimo.
Queres ver como a voz passa e a palavra divina permanece? Que foi feito do batismo de João? Cumpriu sua missão e desapareceu; agora é o batismo de Cristo que está em vigor. Todos cremos em Cristo e esperamos dele a salvação: foi o que a voz anunciou.
Justamente porque é difícil não confundir a voz com a palavra, julgaram que João era o Cristo. Confundiram a voz com a palavra. Mas a voz reconheceu o que era para não prejudicar a palavra. Eu não sou o Cristo (Jo 1,20), disse João, nem Elias nem o Profeta. Perguntaram-lhe então: Quem és tu? Eu sou, respondeu ele, a voz que grita no deserto: “Aplainai o caminho do Senhor” (Jo 1,19.23). É a voz do que grita no deserto, do que rompe o silêncio. Aplainai o caminho do Senhor, como se dissesse: “Sou a voz que se faz ouvir apenas para levar o Senhor aos vossos corações. Mas ele não se dignará vir aonde o quero levar, se não preparardes o caminho”.
O que significa: Aplainai o caminho, senão: Orai como se deve orar? O que significa ainda: Aplainai o caminho senão: Tende pensamentos humildes? Imitai o exemplo de João. Julgam que é o Cristo e ele diz não ser aquele que julgam; não se aproveita do erro alheio para uma afirmação pessoal. Se tivesse dito: “Eu sou o Cristo”, facilmente teriam acreditado nele, pois já era considerado como tal antes que o dissesse. Mas não disse; pelo contrário, reconheceu o que era, disse o que não era, foi humilde. Viu de onde lhe vinha a salvação; compreendeu que era uma lâmpada e temeu que o vento do orgulho pudesse apagá-la. (Sermão 293, 3: Patrologia Latina. 38, 1328-1329)