segunda-feira, 15 de março de 2010

Como conciliar Quaresma e Campanha da Fraternidade?

A Quaresma é um tempo forte de oração, penitência e caridade como exercícios de conversão, que nos preparam para viver a Páscoa, ressurreição e vida nova em Cristo Jesus. Inspirada nos quarenta anos em que o povo de Deus viveu no deserto se purificando para entrar na Terra Prometida e os quarenta dias em que Jesus viveu no deserto antes de iniciar Sua missão na vida pública. A oração, o jejum e a esmola são os elementos fundamentais da espiritualidade quaresmal, nós somos chamados – na Escuta da Palavra de Deus, na participação nos Sacramentos e na vida comunitária – a atualizar o mistério de Cristo e Sua salvação na vida da Igreja hoje.

Neste tempo de reflexão, cujo objetivo é a transformação da nossa vida, penso que numa espiritualidade que não gera vida e transformação não é autenticamente cristã. Não somente a minha vida, os meus interesses, mas o de todos, ou seja, o bem comum de todos os irmãos, a sociedade. A Campanha da Fraternidade reflete sobre a “Fraternidade e Economia”, tendo como lema: “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (cf. Mt 6,24). Suscitando em nós o debate sobre a economia e a fé em Deus a serviço do bem comum, por uma economia a favor da vida! Para rezar e fazer pensar na verdadeira finalidade do dinheiro e dos bens de consumo, do consumismo e do valor das coisas e da pessoa humana em relação ao bem material e ao relacionamento com Deus Pai.

O que é economia? É a ciência social que estuda a produção, distribuição e consumo de bens e serviços. O termo "economia" vem do grego "oikos" (casa) e "nomos" (costume ou lei) ou também gerir, administrar: daí "regras da casa" (lar) e "administração da casa".
"Dinheiro" vem do latim "denariu". Moeda corrente, valor representativo de qualquer quantia. Nome comum a todas as moedas. Numerário, quantia, soma. Todo e qualquer valor comercial (cheques, letras, notas de banco etc.).
"Servir" vem do latim "servire". Estar a serviço de; prestar serviços a: Servia um bom amo. Prestar serviços; ser servo ou criado: Fora contratada para servir. Ajudar, auxiliar, ser útil, servidor, benfazejo: Gostamos de servir os amigos. Servir a pátria; servi-la com a pena ou com a espada. "O Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir" (cf. Mateus, 20, 28).
Em minha opinião o grande desafio, além de não esvaziar a espiritualidade da Quaresma, é permitir que os exercícios quaresmais e a vivência do Mistério de Cristo possam me converter para a prática da justiça e da paz. A nossa proposta, para viver neste tempo, é uma conversão que extermine em nós e ao nosso redor todo tipo de serviço e idolatria ao dinheiro, servindo a injustiça e a corrupção dos bens e da alma. Como faremos isso? Trabalhando em nós e na nossa casa, comunidade, trabalho e escola como nos servimos do dinheiro e dos bens, qual a nossa verdadeira relação, produzir uma economia a favor da vida e da justiça.
Nesta formação nós não podemos esquecer os valores primordiais da vida, da partilha, do respeito, da igualdade dos valores cristãos, pois cidadãos bem formados e firmes nas hierarquias de valores não se deixam vencer pelos mecanismos da injustiça, que gera corrupção. Provocar uma atitude positiva do Estado, ou seja, nos governantes para que todos tenham, com dignidade e trabalho, a satisfação de suas necessidades pessoais e comunitárias. Crescer no diálogo, promovendo a reconciliação, o perdão, que é uma virtude cristã, exercitar a capacidade de promover o outro nas suas qualidades e diferenças, ajudando-o a sair da margem de nossa sociedade, isso é caridade. Nos exercícios da Via-Sacra, nas celebrações, nos grupos de orações e círculos bíblicos, iluminando com a nossa fé os nossos compromissos cristãos.
Este assunto é muito complexo, mas acho que consegui pensar numa proposta para casar bem dentro de nós Quaresma e Campanha da Fraternidade:

A nossa proposta para viver este tempo é uma conversão que extermine em nós e ao nosso redor todo tipo de idolatria ao dinheiro, consumismo, desigualdade social para construir o homem novo e reconstruir o mundo, que sirva a Deus Senhor e Juiz da História.

Oração: Ó Deus criador, do qual tudo nos vem, nós te louvamos pela beleza e perfeição de tudo que existe como dádiva gratuita para a vida. Nesta Campanha da Fraternidade Ecumênica, acolhemos a graça da unidade e da conivência fraterna, aprendendo a ser fiéis ao Evangelho. Ilumina ó Deus, nossas mentes para compreender que a boa nova que vem de ti é amor, compromisso e partilha entre todos nós, teus filhos e filhas. Reconhecemos nossos pecados de omissão diante das injustiças que causam exclusão social e miséria. Pedimos por todas as pessoas que trabalham na promoção do bem comum e na condução de uma economia a serviço da vida. Guiados pelo teu Espírito, queremos viver o serviço e a comunhão, promovendo uma economia fraterna e solidária, para que a nossa sociedade acolha a vinda do teu reino. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Tenha uma santa Quaresma.

Padre Luizinho
Comunidade Canção Nova

sexta-feira, 12 de março de 2010

A música católica não é feita para fazer sucesso

O músico exerce uma função importante na liturgia e também nos momentos de louvor. O que precisa estar muito presente no coração dele é a dinâmica da espiritualidade. A espiritualidade do músico católico deve ser voltada para a experiência católica.

Um exemplo: um músico católico que não vai à Missa, deixa de ser um músico católico, porque ela é o auge da espiritualidade católica. Outra coisa que precisa ficar presente na espiritualidade do músico católico é a Adoração Eucarística, buscar Jesus na Eucaristia e todas as suas vertentes, como a intimidade com a Palavra de Deus.
Você, músico, conhece muito bem as fontes de inspiração. Quando a música brota da Palavra de Deus, ela tem uma eficácia sobrenatural, basta você musicar a Palavra pela inspiração, buscar a harmonia no coração de Deus e você vai ver como a música "pega". A Bíblia em si já traz vida, libertação e cura. Precisamos fazer uma experiência com a Palavra de Deus.

Algo importante também é a intimidade com o Espírito Santo, porque – em minha opinião, e creio que não seja só em minha opinião – isso é obra de Deus, pois a inspiração da música católica precisa vir do Espírito Santo.

Nós também não precisamos consultar harmonias da música secular para colocar na música católica. Pois, assim, perde em unção, perde em eficácia, porque o Espírito Santo é a criatividade por excelência. É Ele quem dá a criatividade, então, não há necessidade de buscá-la em outras fontes.

Há uma passagem do profeta Jeremias que diz: "Os grandes da cidade enviaram os servos à procura de água. Encaminham-se estes às cisternas; água, porém, não encontram, e voltam com os recipientes vazios, envergonhados, confundidos, cobertas as cabeças" (Jer 14,3). O povo estava deixando as águas puras para buscar água em cisternas vazias.

Isso é muito importante para que tenhamos consciência. Não deixe a "água pura", a fonte da Palavra, da Eucaristia, da experiência dos santos, do relacionamento pessoal com a Virgem Maria. Tudo isso é fonte de inspiração. Não busque em "cisternas" vazias! Deus fala a nós nessa Palavra e nos indica o caminho a seguir.

A música, então, precisa brotar da oração e não de um acorde secular. O acorde é Deus quem vai dar. Conheço muitos músicos e, partilhando com eles sobre o nascimento de uma música, sei que ela vem de um momento de oração e Adoração Eucarística.

A música católica não é feita para fazer sucesso. O sucesso que Deus quer são almas salvas, vidas transformadas, pessoas curadas! E a música tem este poder. Assim como tem o poder de fazer uma pessoa se embriagar, se drogar – como vemos, por exemplo, nas festas rave – ela tem o poder de transformar uma vida. Nós precisamos "virar a mesa", virar o jogo e apresentar uma música pura, que vem do Céu e transforma vidas.

Que Deus abençoe você e que Ele próprio o inspire. Não busque fora de Deus, porque só Ele tem a inspiração para o novo da sua canção.

Padre Roger Luis da Silva
Comunidade Canção Nova

Salmo 33. Domingo 14/03. Sugestão CN.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Economia e Vida

A paz de Jesus a todos, estou postando mais um texto sobre a CF 2010, é um convite a nossa reflexão sobre o texto e sobre essa linda campanha Ecumênica. Ainda estarei ao longo das semanas postando outros textos interessantes sobre o tema.

Já é auspiciosa uma Campanha da Fraternidade ecumênica. Ela mostra que é possível as Igrejas se entenderem em torno das questões importantes, que dizem respeito à vida. Uma campanha ecumênica começa fazendo o serviço de casa, advertindo as religiões que elas precisam se colocar a serviço da vida, se querem ter sentido e se pretendem ser acolhidas no seio da sociedade. Colocando-se em função das questões vitais, as religiões aprendem também a relativizar as diferenças, e a minimizar as controvérsias. A fé ilumina a vida, mas a vida motiva e direciona a fé.

Juntas, as Igrejas que compõem o Conic - Conselho Nacional de Igrejas Cristãs - se sentiram animadas a desafiar a sociedade brasileira a olhar de frente a economia, com a convicção de que ela pode ser pensada em função da vida de todos. Daí o tema da campanha: Fraternidade e Economia, com um lema que logo coloca o dedo na ferida: “não podeis servir a Deus e ao dinheiro!”, citando a frase contundente de Jesus.

O lema é, certamente, desafiador. Ele logo diferencia o absoluto do relativo. Só Deus é absoluto, o dinheiro não! E por derivação, nada é absoluto na economia, nem a pretensa imutabilidade de suas leis, como se apregoou nos tempos áureos em que o sistema econômico hegemônico no mundo parecia estar com a razão, com a verdade, e com o dinheiro.

A recente crise econômica mundial deixou bem claro que a economia precisa estar submetida a critérios que a regulem, a direcionem para suas verdadeiras finalidades, e a tornem viável e adequada às possibilidades reais que a condicionam e a fazem buscar sua racionalidade e sua função no contexto do mundo em que vivemos.

A primeira tarefa da campanha da fraternidade deste ano é desmontar a pretensa autossuficiência do mercado, expressão cabal do sistema econômico predominante nos últimos séculos. A economia é uma atividade humana, com profundas incidências na vida das pessoas, e que necessita ser guiada por critérios éticos, que lhe deem não só viabilidade prática, mas também finalidade e sentido humano.

Na verdade, o desafio é complexo. O seu enfrentamento precisa ser feito de maneira global e solidária. Repensar a economia mundial, para que ela se realize em sintonia com as exigências ecológicas e esteja a serviço da vida de toda a humanidade, não é tarefa a ser realizada por iluminados que detenham soluções mágicas ou arbitrárias. E um desafio que pede a participação adequada e responsável de todos. O tamanho do problema convida para uma postura de diálogo e de colaboração. A crise mundial da economia é oportunidade para despertar sentimentos de moderação e de busca coletiva de soluções. Já é apelo para a fraternidade.

Mas a campanha não se limita à dimensão macroeconômica, por mais importante que ela seja, e por mais que convoque os governantes para a busca de soluções. Pois a economia, além de sua evidente dimensão global, apresenta também aspectos práticos e cotidianos, que interferem diretamente na vida das pessoas. Por isso, faz parte dos objetivos da campanha explicitar as repercussões cotidianas da economia, para perceber como ela pode se tornar terreno propício para a prática da solidariedade.

Neste sentido, pode parecer estranho que uma realidade como esta, com tantas incidências humanas, tenha demorado tanto para ser abordada por uma campanha de fraternidade. Em todo o caso, agora a campanha chega num bom momento, favorecido pela abertura ecumênica e pela consciência ecológica.

Neste contexto, recebem motivação e interesse as experiências de economia solidária que poderão ser divulgadas. Em todo o caso, estamos diante de uma campanha com evidentes apelos globais, mas também com abundantes oportunidades concretas da prática da solidariedade no exercício da economia.
Um bom convite, que chega em boa hora!

Dom Demétrio Valentini
Bispo Diocesano de Jale

segunda-feira, 8 de março de 2010

Carnaval 2010 na Canção Nova



Amados leitores do nosso blog!

Em breves palavras gostaria de transmitir um pouco daquilo que vivi neste carnaval de 2010. Com a graça de Deus, eu e nosso tecladista Renan, acompanhados de nossas amadas namoradas, tivemos a oportunidade de passar aproximadamente cinco dias em Cachoeira Paulista (SP) no acampamento de carnaval da Canção Nova. Foi uma grande benção para mim. Como todos sabem, a conversão não é algo que se dá em um dia, mas um processo que dura a vida inteira. Entretanto, há dias muito marcantes nessa caminhada. Sem sombra de dúvida, o acampamento de carnaval está entre os dias mais significantes da minha conversão. Lá eu pude reavivar em mim a maior verdade da minha vida: Deus me ama! De tão óbvio isso já não me tocava tanto. Mas é a notícia mais sensacional que alguém pode receber, meu irmão! Deus te ama! E isso foi muito visível lá e continua sendo até hoje. Ele nos convidou a viver momentos de alegria verdadeira. Não a alegria do mundo, que acaba na quarta feira de cinzas. Não aquela alegria da bebida, da droga, do sexo ilícito. A alegria do Senhor. “e essa alegria ninguém tirará de vós!” (Jo 16, 22). Já dizia o grande músico Davi: “na tua presença há plenitude de alegria...”(Sl 16,11).

Nesta quaresma que já começou, irmão, Deus quer te convidar a viver 40 dias de conversão que culminarão no domingo mais alegre de todos. Até quando vamos cultivar nossos pecados de “estimação”? Até quando cometeremos os mesmos erros? “Diga por hoje não” àquilo que te afasta de Deus, que te impede de sentir a verdadeira alegria. Abra-se a esse Deus que te ama incondicionalmente e um novo homem nascerá!.

Luiz Gustavo

Integrante do CLJ e Ministério Luz das Nações.

quinta-feira, 4 de março de 2010

CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA 2010

As Igrejas Cristãs no Brasil, presentes no Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil – CONIC, apresentam a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2010, com o tema Economia e Vida e o lema “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6,24).

Esta é a terceira campanha da fraternidade realizada de forma ecumênica, e tem como objetivo geral: “Colaborar na promoção de uma economia a serviço da vida, fundamentada no ideal da cultura da paz, a partir do esforço conjunto das Igrejas Cristãs e de pessoas de boa vontade, para que todos contribuam na construção do bem comum em vista de uma sociedade sem exclusão”.
É necessário conclamar a todos e todas para construir uma nova sociedade, educar essa mesma sociedade afirmando que um novo modelo econômico é possível, e denunciar as distorções da realidade econômica existente, para que a economia esteja a serviço da vida.

Nesta Campanha da Fraternidade Ecumênica, as comunidades cristãs são convocadas a deixar-se interpelas pelas palavras de Jesus:  “Não acumuleis para vós tesouros na terra, onde as traças e os vermes arruínam tudo, onde os ladrões arrombam as paredes para roubar. Mas acumulai para vós tesouros no céu.” (Mt 6,19-20a).
“Ninguém pode servir a dois senhores: ou odiará a um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro” (Mt 6,24).
Toda a vida de Jesus foi um testemunho de simplicidade no uso dos bens materiais, de solidariedade com os pobres, de distribuição gratuita dos dons de Deus.

Que a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2010 nos estimule a compreender e vivenciar os valores do Reino de Deus, aacreditar que uma nova sociedade, mais justa e solidária, é possível, e a construir um modelo econômico em que a vida esteja em primeiro lugar.

Trecho Texto Base CF 2010
Site CNBB www.cnbb.org.br