sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Por que a Igreja cobra espórtulas e taxas?


A prática das espórtulas é inspirada no Novo Testamento

Espórtulas são os valores cobrados pela Igreja quando esta ministra alguns Sacramentos (Batismo, Crisma e Matrimônio), especialmente a Santa Missa por alguma intenção especial.

Em primeiro lugar é preciso deixar bem claro que esta medida longe está de querer cobrar pelo sacramento ministrado. Cada um deles é impagável porque custou o preço do Sangue precioso de Jesus para a nossa salvação. Os sete sacramentos brotaram do Coração de Jesus transpassado pela lança na Cruz. É através deles que as graças da salvação, conquistadas a nós por Cristo, chegam a nós, e isso é impagável.

Então, por que a Igreja cobra uma taxa para celebrar alguns deles?

A prática das espórtulas é inspirada no Novo Testamento e existe durante quase dois mil anos. Essa prática tem duplo sentido:

1) para quem oferece sua dádiva é uma forma de participar, de maneira mais íntima, da oblação Eucarística e dos frutos desta; é expressão da fé e do amor com que tem acesso ao Pai por Cristo no Espírito Santo. Assim as espórtulas se justificam como a expressão da fé e do amor dos fiéis que desejam participar mais intimamente dos frutos da Santa Missa.

2) para a Igreja é um meio de sustentação legítimo, baseado na tradição bíblica e que não se trata de simonia, isto é, de comércio com as coisas sagradas. Após o Concílio do Vaticano II (1962-1965), que fez um balanço da vida eclesial, considerando as suas necessidades, o Papa Paulo VI regulamentou as espórtulas da Missa, em 13/06/1974, quando publicou o Motu próprio “Firma in Traditione”, em que dizia:

"É tradição firmemente estabelecida na Igreja que os fiéis, movidos por seu espírito religioso e seu senso eclesial, acrescentem ao sacrifício eucarístico um certo sacrifício pessoal, a fim de participar mais estritamente daquele. Atendem assim às necessidades da Igreja e, mais particularmente, à subsistência dos seus sacerdotes. Isto está de acordo com o espírito das palavras do Senhor: 'o trabalhador merece o seu salário' (Lc 10,7), palavras que São Paulo lembra em sua primeira carta a Timóteo (5,18) e na primeira aos Coríntios (9,7-14)”.

"O clero que, por seu trabalho, merece receber o necessário para se sustentar, deveria ter sua subsistência garantida por um sistema de financiamento independente de ofertas feitas por particulares ou pelos fieis que peçam serviços religiosos".

Depois disso, o assunto foi regulamentado também pelo Papa João Paulo II em 22 de janeiro de 1991, no Decreto SOBRE AS ESPÓRTULAS, preparado pela Sagrada Congregação para o Clero. O Código de Direito Canônico, promulgado em 25/11/83, quando fala das espórtulas, diz, entre outras coisas:

Cânon 945 - § 1. "Segundo o costume aprovado pela Igreja, a qualquer sacerdote que celebra ou concelebra a Missa, é permitido receber a espórtula oferecida para que ele aplique a Missa segundo determinada intenção”.

§ 2. Recomenda-se vivamente aos sacerdotes que, mesmo sem receber nenhuma espórtula, celebrem a Missa segundo a intenção dos fiéis, especialmente dos pobres.

Cânon 946 – “Os fiéis que oferecem espórtula para que a Missa seja aplicada segundo suas intenções concorrem, com essa oferta, para o bem da Igreja e participam de seu empenho no sustento de seus ministros e obras”.

Cânon 947 – “Deve-se afastar completamente das espórtulas de Missas até mesmo qualquer aparência de negócio ou comércio.”

No início da Igreja, os cristãos, ao participarem da Santa Missa, levavam consigo dons naturais (pão, vinho, leite, frutas, mel...). Depois passou a se fazer doações também em dinheiro por ser mais prático. A Igreja, como uma sociedade também humana e inserida neste mundo, precisa de dinheiro para exercer a missão de pregar o Evangelho, confiada a ela pelo próprio Cristo, desde os tempos d'Ele. Os doze Apóstolos tinham uma caixa comum (cf. Jo 12,6). Jesus aceitava que algumas mulheres os ajudassem com seus bens, entre elas, Maria Madalena, Joana, mulher de Cuza, Susana e várias outras (cf. Lc 8,1-3).

A primeira comunidade cristã em Jerusalém praticava a voluntária partilha de bens (cf. At 2,44; 5,1-6). Jesus elogiou a oblação da viúva no Tesouro do Templo: "Em verdade eu vos digo que esta viúva, que é pobre, lançou mais do que todos os que ofereceram moedas ao Tesouro. Pois todos os outros deram do que lhes sobrava; ela, porém, na sua penúria ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver" (Mc 12,42-44).

E aqueles que não têm dinheiro para mandar celebrar a Santa Missa?

A Igreja reza diariamente por todas as grandes intenções e necessidades da humanidade (os doentes, os moribundos, os encarcerados, os falecidos...), também pelas almas do Purgatório, em todas as Celebrações Eucarísticas. Assim, não há almas abandonadas no Purgatório por falta de dinheiro da parte dos familiares.

Quando todos os católicos pagarem o dízimo – que a Igreja não obriga que seja 10% do que a pessoa ganha, embora isso seja bom –, então, certamente não será mais preciso cobrar taxas para a celebração dos sacramentos, como o Batismo, Crisma e Matrimônio. Mas isso ainda não é comum; por isso a Igreja precisa das taxas para suas necessidades materiais.

O Código de Direito Canônico afirma:

Cânon 222 § 1. "Os fiéis têm obrigação de socorrer às necessidades da Igreja, a fim de que ela possa dispor do que é necessário para o culto divino, para as obras de apostolado e de caridade e para o honesto sustento dos ministros."

O que o Catecismo da Igreja Católica diz no §2043: " Os fiéis cristãos têm ainda a obrigação de atender, cada um segundo as suas capacidades, às necessidades materiais da Igreja".


Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com
Prof. Felipe Aquino, casado, 5 filhos, doutor em Física pela UNESP. É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II. Participa de Aprofundamentos no país e no exterior, já escreveu 60 livros e apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: "Escola da Fé" e "Trocando Idéias". Saiba mais
http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Sonhe o sonho de Deus

Olá, amado(a) irmã(o)!!!


Paz e Bem!!!

Sou Missionário consagrado na Canção Nova há 13 anos, com votos para sempre, casado com uma mulher maravilhosa que se chama Ana Lúcia e temos 5 filhos (todos homens).

Comecei com o Dunga a tão conhecida Banda Canção Nova, que marcou história com o CD "Deus existe!!!" (lembra?!?!?).
Na Comunidade faço um pouco de tudo: apresento programas de televisão, locuções em Rádio, ajudo na produção de programas, animo Missas, grandes acampamentos, faço Shows, já varri palco, lavei banheiro, carreguei peso, dormi no chão, passei fome, passei frio e faço tudo isto de novo sempre que necessário!


Tenho 3 CDs gravados (Deus Existe!!!, Alegra-te e Deixe-se Amar) e já participei como solo e backing vocal em mais de 15 CDs.
Você pode estar pensando: "pôxa vida, eu pensei que o Flavinho ia falar para músicos e ele vem com esse papo de tocar na noite, varrer chão e lavar banheiro? Que papo estranho!!!"

Na verdade estou fazendo memória de toda a minha história como ministro de música e constatando que maravilhosa Obra o Senhor fez em minha vida!! (Sl 138, 14)
Sim, posso dizer como o Salmista: “Que maravilha meu Senhor sou eu!“.
Olhando para a minha história de Salvação, vejo que se Deus não tivesse entrado na minha vida no momento exato que entrou, eu teria me perdido e frustrado o plano e o sonho de Deus para mim!

Há mais ou menos 17 anos, um casal de amigos, rezando por mim numa adoração pela madrugada, em Palavra de Ciência, me disse: “Flavinho, a partir de hoje você irá brotar um Canto Novo (uma Canção Nova!!) para o mundo...!!”. Eu me assustei com aquilo, não entendi nada! Não fazia sentido para mim, pois eu nunca imaginava que um dia eu estaria na Canção Nova, cantando e pregando em outros países e levando a Boa Nova do Evangelho através da minha vida e do meu canto para o mundo inteiro. Porém, no íntimo do meu coração, eu sonhava isto... E como Deus vê os nossos corações (I Sm 16, 7), Ele encontrou no meu coração a matéria prima para que pudesse realizar a Sua vontade em mim. O sonho de Deus era o meu sonho!!

Você poderia pensar: “como um cara que já tocou na noite, se prostituiu, tomava todas, tinha uma vida toda errada, pode ser escolhido por Deus para fazer coisas tão maravilhosas?".
A resposta é simples: nós vemos as aparências e fazemos as escolhas a partir de parâmetros e sentimentos humanos. Deus, porém, vê o coração! (I Sm 16, 7)
É de suma importância que você já vá se vendo na minha história, que você vá encontrando similaridades entre a minha história e a história de membros do seu ministério de música.
Não somos nós que nos escolhemos a nós mesmos, nem somos nós que escolhemos os outros para estarem ao nosso lado ministrando a música, quem escolhe é Deus (Jo 15, 16) e Ele escolhe com a expectativa de colher muitos frutos desta escolha amorosa.

Meu irmã(o), não pare nas suas fragilidades, nos seus medos, nas quedas já vividas. Não pare também no julgamento sem misericórdia daqueles que Deus envia para o seu ministério! Saiba que naquela pedra bruta que é você ou aquela pessoa que Deus mandou para o seu ministério de música, existe um lindo diamante a ser lapidado, como eu fui e estou sendo lapidado até hoje (Rm 11, 32)! Lembre-se que Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos!
Não tenha medo de sonhar! Sonhe em Deus!! Com as dificuldades que vivemos em nosso país tão corrupto, com tantas desigualdades sociais, econômicas, nos foi tirado de muitos até mesmo o direito de sonhar... Mas Deus deseja reavivar em nossos corações a partir do Espírito Santo que nos foi dado, que não é um espírito de timidez, mas de valentia (II Tm 1, 7), a alegria e a coragem de sonhar!


Sonhe com realizações grandes em seu ministério, sonhe em ter pessoas ungidas e coerentes com a fé ministrando a música ao seu lado, sonhe em ter os melhores instrumentos musicais para servir a Deus, sonhe com a unidade entre os ministros de música no Brasil, sonhe em gravar um CD maravilhoso e cheio da Unção de Deus, sonhe em ver maravilhas de Deus acontecendo em meio ao seu povo quando você estiver tocando ou cantando, sonhe em levar a Palavra de Deus aos quatro cantos da terra através de sua vida e de sua canção, sonhe com a Santidade. Porém, sonhe tudo isso em Deus!!
Se o seu sonho estiver em concordância com o sonho de Deus, ele já é uma realidade.
Sonhe com um Brasil melhor, mais justo e mais fraterno!
Sonhemos, irmãos, com os olhos e o coração voltados para o céu, mas com os pés firmes nesta terra!
Nos trancos e barrancos da nossa vida, Deus sempre esteve lá, nos amando e nos sustentando!

Coragem!!! O amor vencerá sempre!!
Ame e deixe-se amar!!

FLAVINHO CN

Salmo 28. Domingo 10/01.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Show Pe. Fábio de Melo em Porto Alegre




16/12/2009... Uma quarta-feira iluminada para a cidade de Porto Alegre... Eis que aqui chegava a presença tão esperada daquele que se intitula “o sacerdote das divinas causas”, nosso querido Padre Fábio de Melo. Cantadas com delicadeza e poesia, suas músicas falam do tempo, da efemeridade da vida, mas, principalmente, da natureza humana em confrontamento com o sagrado – admiração, deslumbramento, amor... A estrutura do show é relativamente simples: poucos instrumentos e músicos, alguns jogos de luzes, uma tela ao fundo do palco... Contudo, isso só aumenta mais a grandeza do espetáculo; pois o que prende a atenção dos espectadores não são os artifícios e efeitos, mas a luz que emana do olhar daquele que se encontra no centro do palco.
Ele sempre costuma dizer que o que mais o encanta em Jesus Cristo é a sua capacidade de amar aqueles que nós não amaríamos: os adúlteros, os ladrões, os assassinos... O que mais me encanta nele – o Padre – é a sua capacidade de sair de si, da posição de sacerdote, de homem consagrado, habituado às coisas do alto, para adentrar na sentimentalidade e racionalidade humana. Os dezesseis anos de formação, os oito anos de sacerdócio, não o afastaram de nossas dúvidas, medos e inquietações, mas o fizeram compreendê-las em profundidade... Quantas de suas músicas não transcrevem exatamente aquilo que sentimos frente a grandiosidade do amor de Deus? “Sou humano demais para compreender, humano de mais para entender...”
Embora a mídia faça questão de ressaltar muito mais seus dotes físicos e artísticos, deixando, por vezes, de lado sua mensagem e sua vocação; é o sacerdote sim que se sobressai em todos os momentos; levando ao extremo sua missão: levar-nos, nós leigos, a contemplação e comunicação com nosso Criador. Fiquei pensando nisso ao observar a plateia ao meu redor... Muitos ali não eram católicos, talvez nem fossem cristãos, talvez nunca tenham adentrado uma igreja, feito uma prece... E são estes que Cristo quer para si. “Não são os que estão bem que precisam de médico, mas sim os que estão doentes.” (Mt 9,12) Deus quer usar a sensibilidade e carisma deste homem, para tocar mais e mais corações, para abrir e dar mais visibilidade à nossa Igreja, ao Seu evangelho. Mais do que admirar, ouvir sua música, ler os seus escritos, temos que ORAR para que ele seja cada vez mais instrumento de nosso Deus. “O que vos falei ao pé do ouvido, publicai-o de cima dos telhados.” (Mt 10, 27)
Em uma de suas pregações durante o show, ele nos falou da incondicionalidade do amor de Deus. Contou-nos um fato que o marcou muito, quando ele ainda não era padre. Certa vez, quando estava em missão pela Pastoral Carcerária, ele encontrou uma velhinha, esperando para entrar em um presídio de segurança máxima, e perguntou o que ela fazia ali. Esta senhora lhe respondeu: “Vim ver meu menino.” Depois de fazer seus serviços e retornar ao pátio do referido presídio, ele viu ao fundo, num canto, aquela mesma senhora a afagar o resto de um homem enorme que chorava muito. Ele então perguntou ao carcereiro, que crimes tinha cometido aquele homem, ao que o carcereiro respondeu: mais de 60 mortes... Assim é o amor de Deus, ele nos disse. Não importa o que tenhamos feito, não importa que caminhos tenhamos seguido até o presente momento. Deus nos ama! Somos os meninos e meninas d'Ele... Através deste singelo, porém grandioso exemplo, ele tocou profundamente o meu coração... Só por esta palavra o show já teria valido a pena... Pois na correria cotidiana, na nossa constante pressa de resolver mil coisas, de construirmos nossa independência, nós esquecemos de olhar para o alto... Nos esquecemos que lá está nosso Pai, sempre de braços abertos para nos ajudar, nos ouvir, nos levar no colo... Esquecemos que somos “filhos do céu”.
Por fim, gostaria de destacar a convicção com que o Padre Fábio proclama cada palavra. Embora seu falar seja sereno, suave, transmitindo toda a paz que o Reino de Deus possui; embora ele constantemente problematize os limites do tempo e as nuances da alma humana; ele carrega no olhar, gestos e colocações tanta certeza, que nos levam a crer mais e mais neste Deus que foi capaz de cometer a loucura de morrer na cruz por cada um de nós.
Como diz uma de suas músicas – “Que Deus cuida de mim, quando fala pela sua voz, e me diz: Coragem!” – nesta noite de quarta-feira, o Padre Fábio de Melo, muito mais que cantar, teve sua voz utilizada por Deus, para tocar o coração de cada um dos que estavam ali presentes, a cada um dos meninos e meninas de Deus... Sobre o palco do Gigantinho, nesta quarta-feira, foi realizada “a liturgia que só o amor proporciona...”

A Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja com todos vocês!

Patrícia Gonçalves
- CLJ São Vicente Mártir -

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

É Natal!



"Alegremo-nos! Não pode haver tristeza no dia em que nasce a vida; uma vida que, dissipando o temor da morte, enche-nos de alegria com a promessa da eternidade".

Ninguém está excluído da participação nesta felicidade. A causa da alegria é comum a todos, porque o nosso Senhor, vencedor do pecado e da morte, não tendo encontrado ninguém isento de culpa, veio libertar a todos. Exulte o justo, porque se aproxima da vitória; rejubile o pecador, porque lhe é oferecido o perdão; reanime-se o pagão, porque é chamado à vida.

Quando chegou a plenitude dos tempos fixada pelos insondáveis desígnios divinos, o filho de Deus assumiu a natureza do homem para reconciliá-lo com o Criador, de modo que o demônio, autor da morte, fosse vencido pela mesma natureza que antes vencera.

Eis por que, no nascimento do Senhor, os anjos cantam jubilosos: Glória a Deus nas alturas; e anunciam: Paz na Terra aos homens de boa vontade(Lucas 2,14). Eles veem a Jerusalém celeste ser formada de todas as nações do mundo. Diante dessa obra inexprimível do amor divino, como não devem alegrar-se os homens, em sua pequenez, quando os anjos, em sua grandeza, assim rejubilam?

Amados filhos, demos graças a Deus Pai, por seu Filho, no Espírito Santo; pois, na imensa misericórdia com que nos amou, compadeceu-se de nós. "E quando estávamos mortos por causa das nossas faltas, Ele nos deu a vida com Cristo" (Efésios 2,5) para que fôssemos n'Ele uma nova criação, uma nova obra de suas mãos.

Despojemo-nos, portanto, do velho homem com seus atos; e tendo sido admitidos a participar do nascimento de Cristo, renunciemos às obras da carne.

Toma consciência, ó cristão, da tua dignidade. E já que participas da natureza divina, não voltes aos erros de antes por um comportamento indigno de tua condição. Lembra-te de que cabeça e de que corpo és membro. Recorda-te que foste arrancado do poder das trevas e levado para a luz e o Reino de Deus.

"Pelo sacramento do batismo te tornaste templo do Espírito Santo. Não expulses com más ações tão grande hóspede, não recaias sob o jugo do demônio, porque o preço de tua salvação é o sangue de Cristo (São Leão Magno, papa, Sermo in Nativitate Domini, 1-3).”

Na grande alegria do Natal do Senhor, compartilhemos a festa e seus frutos!

Natal feliz é Natal com Cristo!

Tenha um santo e feliz Natal!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Quer ser santo? Assuma que você é fraco!

É uma riqueza insondável este texto de São Paulo: II Coríntios 12,1-10. O apóstolo nos fala que, para seu espírito não se encher de orgulho e vaidade, foi lhe colocado um "espinho na carne".
Não é possível falar de crescimento humano se antes não falarmos de reconhecimento dos nossos limites. O bom treinador é aquele que vai saber salientar a qualidade do atleta, mas, sobretudo, vai saber encaminhá-lo para a superação dos limites. O primeiro passo é reconhecer em que nós precisamos melhorar. Contudo, esse é um grande desafio para todos nós, porque, lamentavelmente, as pessoas não estão preparadas para nos educar para a coragem. Sabe por quê? Porque muitas vezes os incentivos que nos são dados estão mais voltados para esquecermos as nossas fragilidades. Quando mostramos as nossas fraquezas há uma série de repreensões diante de nós.

Você já reparou que nós não deixamos a criança chorar? Já reparou que quando o recém-nascido chora, nós fazemos de tudo para calar a boca dele? Fazemos uma série de "caras feias" para ver se calamos a criança, para tentar espantar a fragilidade.
Nós, humanos, temos uma dificuldade imensa de lidar com a fragilidade do outro – ainda que seja filho da gente. Nós gostamos é de todo o mundo feliz! Não estamos preparados para encarar a fragilidade. Parece que a nossa educação está sempre voltada para nos revestir de uma coragem que nos faça esquecer nossos limites.

Ter coragem é descobrir onde está a nossa fragilidade e ali trabalhar com um empenho um pouquinho maior. É não desconsiderar o que temos de bom, mas é também colocar atenção naquilo em que ainda temos de melhorar. Estamos em processo de feitura. Não estamos prontos, não somos perfeitos, estamos por ser feitos, estamos sendo feitos aos poucos. E no processo de ser feito aos poucos nós vamos descobrindo onde é que dói “esse espinho” de que fala o apóstolo dos gentios. Esse espinho muda de lugar. Quanto mais uma pessoa está aperfeiçoada no processo de ser gente, tanto maior é a facilidade de conhecer limites.
Para você retirar um espinho, às vezes, é preciso deixar inflamar. É como se o seu corpo dissesse: “Isso não me pertence”. De qualquer jeito, nós temos de tirar aquilo que não nos pertence. Existem algumas inflamações do espírito, da personalidade, porque há pessoas que são tão aborrecidas que a gente não pode nem encostar nelas. São aquelas inflamações que se alastram.

E aí é que entra a grande contribuição do Cristianismo, numa proposta antropológica. Porque Deus não quer que você seja um “anjinho” na terra, mas que você deixe de ser “inflamado”! Ele quer lhe mostrar as inflamações para que você lute contra elas.
Cara feia, arrogância, tudo isso é complexo de inferioridade. Sabe qual é o “espinho”? O medo, a insegurança.
Você já fez a experiência de viver uma palavra que fizesse com que saísse tudo o que estava estragado em seu interior? Língua afiada quer dizer: deixar toda a inflamação que está dentro de nós vir para fora. Ter condições de deixar “vazar” aquilo que antes desconhecíamos é admitir e reconhecer que somos frágeis. A pior ignorância é aquela que finge que sabe! Temos medo de mostrar que não aprendemos, que somos frágeis. Quantas vezes na nossa vida, por medo, perdemos a oportunidade de aprender.

Muitas vezes, por medo de expor a nossa fragilidade, – porque parece que o mundo de hoje se esqueceu de mostrar a cultura do esforço que se fez para chegar aonde chegamos –, perdemos o direito de chorar. E por diversas vezes choramos e não sabemos por que estamos chorando.
O ensinamento de Jesus é sempre o avesso do avesso. Quer ser santo? Assuma que você é fraco. Muitas vezes, neste processo de se conhecer, nós sangramos. E nós precisamos sangrar. Um dos maiores poetas da música diz isso.

Quantas vezes você não se viu traduzido em uma canção de alguém que teve a coragem de sangrar, porque não teve medo de mostrar as próprias fragilidades?
Nós somos todos iguais. Nós músicos somos todos iguais. Não adianta fingirmos que somos fortes ou ficar fingindo que não sentimos nada e que não temos medo. Eu não sei se existem mais de cinco pessoas que conhecem os seus segredos. Para quantas pessoas você teve coragem de sangrar? Pessoas que o enxergam por dentro são raras.

Conversão é isso. É você educar o seu filho para que ele possa lhe contar onde estão os “espinhos”. O espinho não é o defeito, mas é a seta que nos mostra onde temos de trabalhar para que sejamos melhores.
A vida vai perdendo a graça porque não nos deixamos sangrar. A gente sangra melhor nos momentos de intimidade, nos quais a gente tem coragem de tirar a couraça. É muito melhor admitir que temos medo. Para as pessoas é sempre doloroso ter de tirar os “espinhos” e ver vazarem as inflamações.

Há tantas situações que nos deixam com o “coração na boca”. Muitas vezes, nós colocamos muito mais atenção naquilo que as pessoas acham de nós, do que no que nós pensamos de nós mesmos.
Examine-se, você é uma pessoa que consegue levar o outro à cura. Em última instância, o que vai sobrar de nós é a nossa vontade de amar. Vamos descobrir o que hoje em nós está "infeccionado", porque é preciso sangrar, é preciso reconhecer-se frágil.

Padre Fábio de Melo